Machine Head: "apenas uma banda de Metal"
Por Felipe Augusto Rosa Miquelini
Fonte: Blabbermouth
Postado em 11 de dezembro de 2006
O site Ultimate-Guitar.com, recentemente realizou uma entrevista com o guitarrista do MACHINE HEAD, Phil Demmel. Alguns trechos da conversa seguem abaixo:
Ultimate Guitar: Depois de tudo que a banda aguentou durante esses anos, você abordou a composição diferentemente em "The Blackening"?
Phil: "Acho que nós usamos bastante do mesmo processo que usamos no último álbum. Escrevemos para nós mesmos e é disso que nossos fãs gostam. Então, ficamos com essa fórmula nesse disco. Essa será a primeira vez que eu estive com o grupo desde o início do processo de composição em si. Me integrei à banda no último disco, e apenas ajudei a compor três músicas. Eles já tinham aproximadamente 95% do álbum composto. Então, com esse novo trabalho eu estive envolvido desde o começo. Robb (Flynn, guitarra e vocais) e eu realmente tivemos a chance de voltarmos um pouco na nossa história no cenário oitentista de Thrash Metal. Tem muitos riffs rápidos, e coisas meio intrigantes e técnicas. Queríamos testar nossos limites. Todos na banda, quiseram se esforçar musicalmente. Então, o que você pode esperar do 'The Blackening'? Músicas longas! Algumas músicas de 10 minutos, algumas músicas de 8 minutos. Apenas o mais intrigante e mais técnico disco do MACHINE HEAD até o presente".
Ultimate Guitar: Fale um pouco dessas músicas de 10 minutos de duração. Como são chamadas e como foi o processo por trás delas em comparação ao das outras músicas?
Phil: "A música que abre o disco se chama 'Clenching The Fists of Dissent'. Ela tem basicamente 10 minutos porque traz uma espécie de intro no começo. Quem basicamente dá a partida na música é o Dave (McClain, bateria) tocando alguma coisa. Nós tivemos uma seção meio curta, e foi algo realmente vibrante com o pedal duplo, uma quebrada bem legal. Fomos adicionando riffs a ela que no fim das contas não queríamos perder. Não somos uma banda direcionada às rádios. A coisa é muito simples: 'cara, nós gostamos disso. É tudo que importa. Vamos manter assim'".
Ultimate Guitar: Há bandas que de certa forma tiveram alguma influência na forma como vocês construíram as músicas?
Phil: "Definitivamente. Existem alguns elementos em relação a essas músicas que nos fizeram pensar assim. Uma que vem à mente na música "Wolves", é o METALLICA. Há também coisa inspirada no MERCYFUL FATE, e eles tem mudanças cronométricas em seu material. Temos algumas partes em que as pessoas vão falar: 'Oh, cara, isso é puro MERCYFUL FATE!'"
Ultimate Guitar: Existe algum solo em particular no "The Blackening" que te levou mais tempo para fazer e aperfeiçoar?
Phil: "No solo na música 'Halo' há uma parada de 16 batidas, em que só eu permaneço tocando. Originalmente eu havia composto uma parada para esse meu riff, e então o Robb a mudou. Na verdade eu havia gravado algo para ela, mas os três caras vieram e falaram: 'você pode fazer muito melhor'".
Ultimate Guitar: Os outros membros comentaram como era o processo de composição do MACHINE HEAD antes de você se integrar à banda?
Phil: "Ouvi dizer que tudo soa meio familiar tal qual era na época do antigo guitarrista. Robb e eu atuávamos numa banda de Thrash chamada VIO-LENCE, então já nos conhecemos há um bom tempo. Então acho que, no tocante à parceria de composição, Robb e eu estamos muito entrosados".
Ultimate Guitar: Quando você veio para o MACHINE HEAD em 2002, a banda havia passado por um tempo difícil em termos de baixas vendas e problemas com o selo da Roadrunner. Como estava o humor do pessoal quando você chegou no cenário?
Phil: "Eles estavam loucos com o selo. O álbum tinha vendido bem, mas havia sido o menos vendido até aquele momento. Os fãs sempre estiveram presentes, mas isto não se reflete nas vendas de CD e sim da forma como rola a turnê em relação ao público. Eles estavam indecisos em relação ao que realmente iriam fazer".
Ultimate Guitar: Houve algum momento especial que marcou a mudança na atitude da banda?
Phil: "Antes de eu integrar o MACHINE HEAD eles tiveram uma reunião. Todos estavam meio putos uns com os outros. Eu acho que foi o Dave que disse: 'quer saber? Nós somos uma banda de Metal. Vamos ficar numa banda de Metal e compor músicas para nós mesmos. O que estamos fazendo agora é compor para a gravadora. Vamos fazer isto para nós'. Aquilo meio que cativou todo mundo: 'yeah, é isso que precisamos fazer'".
Ultimate Guitar: A gravadora realmente disse à banda que tocasse um tipo específico de música?
Phil: Mesmo depois que saímos da Roadrunner - foi inegável - todo selo ao qual nos dirigíamos nos pedia isso. Eles queriam o single da rádio. Isso não é o que essa banda tá a fim de fazer. A idéia era algo como 'bom, talvez nós possamos fazer o single de uma forma e depois o resto do álbum de outro jeito, talvez seja dos males o pior. Ou talvez fiquemos simplesmente sem gravadora.'"
Leia a entrevista na íntegra no Ultimate-Guitar.
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