Talisman: Review e fotos do show de despedida no Rio de Janeiro

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Por Rafael Carnovale
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Como todo bom fã de hard-rock, não gostei nem um pouco de saber que a banda encerraria atividades após esta mini-turnê divulgando seu sétimo álbum de estúdio ("7"). Apesar de não terem obtido o reconhecimento e a fama de outros grandes nomes do hard-rock, o quarteto liderado por Marcel Jacob (baixo) e Jeff Scott Soto (vocais) sempre nos presenteou com trabalhos de extrema qualidade, técnica e "feeling" musicais. Mesmo sabendo que Soto seria efetivado (e depois demitido de maneira incompreensível) na banda norte-americana Journey, e que isso inviabilizaria qualquer atividade do Talisman, o fim desta primorosa equipe foi sentido por todo aquele que curta um hard de qualidade, movido por quatro músicos talentosos. A banda já havia confirmado o show de SP no dia 06, quando para a felicidade dos cariocas a data no Rio foi confirmada para o dia 7 de julho, e sendo portanto o último show do Talisman (até que Soto e Jacob decidam fazer mais um CD...). O local escolhido para tal empreitada foi o Teatro Rival BR, no centro do Rio, um local pequeno (a produção procurou não arriscar, dados os recentes fiascos de público nos shows de médio porte que ocorreram por aqui), porém interessante. Não diria que seja a casa de shows mais aconchegante, mas funcionou muito bem para as 400 pessoas que compareceram, dando um aspecto agradável (parecia cheio, mas não estava lotado).

Fotos: Marcelo Martins

O show estava marcado para 20h30, e com cerca de 25 min de atraso sobe ao palco o quarteto carioca SNOW, encarregado do show de abertura. Confesso que apesar de já ter ouvido falar da banda nunca escutei algo dos caras, mas a surpresa do começo deu lugar a uma imensa satisfação com uma galera movida a hard, com muita garra, pegada e sem alguns exageros visuais cometidos por bandas do estilo (nada contra, mas em alguns momentos chega a soar um tanto quanto... ridículo... o visual de alguns hard-rockers). Desde a abertura com "She-Demon", a excelente "On Fire", passando por "Tearin´ Down The House" e o excelente cover de "Wild Child" do WASP, Riq Ferris (vocais, ex-Thoten, Sigma 5), Marc Snow (guitarra), Sérgio Sanchez (bateria) e Diego Padilha (baixo) fizeram um show coeso e energético, com destaque para a guitarra afinadíssima de Marc e os vocais agressivos de Riq Ferris. Um grande show, desta que pode ser considerada uma das bandas mais talentosas do hard brasileiro, e que merece uma atenção cuidadosa, já que os caras mandam bem ao vivo, tanto que durante seu show, Brian Young e Jaime Berger (guitarrista e batera do Talisman) podiam ser vistos circulando pela platéia.

Cerca de 30 min depois de encerrado o show da SNOW, toca a sineta no Teatro Rival (indicando que o show começaria em 5 minutos), e abrem-se as cortinas, ao som de um discurso totalmente desconexo, seguido pela entrada de Marcel, Brian, Jaime e Soto, iniciando o show com "Falling" (do novo CD "7"). Vale citar que o som estava bem acima da média em se tratando de shows de rock, e que a banda já mostrava a que vinha, executando em seguida "Colour My XTC" (uma pedrada que mexeu com a galera), seguindo com "Coming Home" e a sensacional "Mysterious".

De cara nota-se que Soto é de longe um dos maiores "frontmans" do rock mundial, com carisma, presença e um gogó previlegiado (do mais grave ao mais agudo como quem fala uma simples palavra), além de saber usar toda sua vasta experiência musical em várias vertentes (do metal ao funk) a seu favor. Brian Young estava encarando a missão de substituir Fredrik Akesson (guitarrista original) e se saía bem, mas a falta de entrosamento pesava em alguns momentos. Já Marcel e seu visual "Conehead" peca pela discrição no palco, mas arrasa na técnica.

Quem queria ouvir um bom apanhado da carreira do Talisman curtiu ao máximo sons como "A Life", "DOAPS", "Day By Day", "Here 2day, Gone 2day" (do CD "Truth"), além da magnífica "Tears In The Sky". Marcel teve tempo para um solo curto, assim como Jaime (preciso, sem exageros), assim como Soto por várias vezes ia ao teclado para alguns números que mexiam com a galera. Mas os grandes momentos se sucediam quando os quatro estavam juntos, como aconteceu em "Shed A Tear Goodbye", "Frozen" (a sensacional versão para o clássico de Madonna – abre-se um parêntese... você consegue imaginar 400 fãs de hard-rock cantando uma música de uma das rainhas do pop?).

Este parágrafo está reservado para um dos momentos mágicos do show, e ouso dizer um dos momentos antológicos que este reporter já presenciou: "I´ll Be Waiting" é de longe um dos maiores clássicos da banda, inegável poder hard e melodia pop fantástica, mas o que Mr. Soto fez nesta música fez muita gente enlouquecer. Iniciando de maneira discplicente, quase relaxada, ao momento de interação com a galera (movido por trechos de "Livin´On A Prayer" do Bon Jovi, "Stand Up And Shout" do Dio e "Stand Up" do filme "Rockstar"), Soto mostrou o que é ter a galera em mãos. Desde o já conhecido "Hey Motherfucker" (ou "Filha-da-Puta"), o cara levou o público ao delírio. E em seguida começou a procurar entre a platéia algum candidato a cantor para levar o refrão da música. Seria apenas uma tentativa, mas eis que James Galvão (Stalker) sobe ao palco e pede sua chance de cantar com a galera. Soto permite, e o cara manda bem, ao ponto do vocalista do Talisman dizer "Ei, você é cantor profissional, saia daqui!". Vale citar que o Talisman em vários momentos acompanha Soto, complementando e mostrando a força do conjunto). Entre risadas e aplausos, vimos um momento sensacional, que foi seguido pelo resto da música e "Back To The Feeling".

Quem já estava extasiado com tanto hard e tanta garra ainda pode curtir um "medley" de músicas do Journey com Soto ao piano acompanhado da banda, e o encerramento com "Standin´ On Fire" e o cover de "Crazy" (Seal). Uma hora e meia de puro hard-rock, com excelentes músicos e uma galera que cantou a plenos pulmões.

A pergunta que ecoava ao fim do show do Talisman é se, após uma apresentação forte como esta, uma turnê tão bem sucedida, e escorados pelo fato de Soto não ser mais o vocalista do Journey, há ainda alguma razão para o fim do Talisman. Eu acho que não, mas sabe como é... tudo depende de Soto e Jacob, já que os fãs brasileiros fizeram sua parte com sobras.



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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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