Iron Maiden: relato da apresentação em Salt Lake City

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por João Paulo Ramos
Enviar Correções  

João Paulo Ramos nos enviou o depoimento abaixo sobre uma apresentação do Iron Maiden que teve o prazer de conferir em Salt Lake City nos EUA:

Eu nasci no ano de 1988. Nesse mesmo ano o Iron Maiden estava em turne promovendo o album Seventh Son of a Seventh Son tocanndo o que tinha de melhor no seu repertorio ate entao. Como sempre, as turnes que se seguiram sempre foram de divulgacao dos novos albums ate que Steve e cia. resolveram fazer uma volta no tempo e se lancaram na turne The Early Days, que infelizmente nao passou pelo Brasil.

Logo apos foi a vez de uma das mais esperadas noticias pelos fas: O Iron daria continuidade a esse tipo de turne retrograda e se lancou pelo mundo a bordo do Ed Force One promovendo a Somewhere Back in Time World Tour em 2008 e 2009.

publicidade

O que o futuro aguardaria para nos, fas incondicionais dessa banda que mudou nossas vidas?

Eles demoraram um pouco para responder e retornaram ao Brasil promovendo a The Final Frontier World Tour.

Ate que no inicio de 2012 foi anunciada o retorno de uma turne que marcou geracoes especialmente apos o emblematico show em Castle Donnington: a Maiden England Tour.

publicidade

Eles estao fazendo a primeira parte pela america do norte e eu tive a sorte de estar por aqui na hora certa e tiver o imenso prazer de conferir talvez o que tenha sido o melhor show deles que eu vi ao vivo.

Estou morando em Los Angeles, California e comprei ingressos para o "Pit" do show de Salt Lake City, a 580 milhas daqui.

Nao hesitei em momento algum. Comprei as passagens aereas e me mandei.

publicidade

Cheguei no local do show meio dia aproximadamente. Um calor dos infernos pois Salt Lake fica em um deserto cercado de montanhas. Os portoes so abririam as 18h e o espetaculo teria como banda de abertura os caras do Coheed and Cambria que passaram pelo Brasil no ano passado se apresentando no Rock In Rio.

Foram longas seis horas de espera na porta do local sob um sol escaldante e eu estava sozinho.

publicidade

Fui o primeiro a chegar e estava la desolado, com muito calor se agua alguma quando conheci um cara da producao que me ofereceu agua e um lugar na sombra para esperar.

foram longas horas de conversa com o John e eu contei para ele toda a minha trajetoria de fanatismo pela banda e como eu tinha ido parar nos estados unidos.

ele entao me ofereceu o passe de entrada do fa clube oficial, que entraria meia hora antes do restante do publico e teria acesso a grade para conferir o grande evento a centimetros do palco.

publicidade

E la fui eu feliz da vida.

Apos um bom show dos caras do Coheed, o palco tematico da turne do Seventh Son comecou a ser montado.

Deu para perceber ali de perto que muitos dos artefatos eram da turne de 88 pois dava para ver certo desgaste.

Faltando pouco tempo para o inicio, ainda com a luz do dia pairando sobre os 20 mil fas alucinados, os PAs interrompem Burn do Deep Purple para o inicio do classico Doctor Doctor do UFO.

publicidade

Dali para frente o sonho comecaria.

Apos uma breve intro de música classica o silencio pairou e a introducao de MOONCHILD pode ser ouvida em todos os coracoes presentes.

Com uma incrivel producao de pirotecnia o cenario todo "explode" e a banda surge liderada por steve, adrian, dave, janick nicko em seu kit e por ultimo bruce saltando por cima da bateria de nicko e dando um show a parte com uma performance incrivel para seus ja aparentes cabelos brancos. Bruce parece ficar melhor com o passar do tempo e a energia utilizada no palco foi contagiante e ate o proprio steve harris nao parava de pular e correr, assim como todos, sempre alternando as posicoes. Eu nunca tinha visto eles fazerem isso.

publicidade

Sem nenhum discurso foi a vez de Can I Play With Madness ser executada de forma igualmente brilhante. Ao final Bruce agradeceu a presenca de todos e fez um discurso engracado. Como fazia 16 anos que eles nao tocavam em SLC ele disse que as coisas nao haviam mudado em nada. Os fas continuavam apaixonados pelo Maiden e que a cerveja continuava horrivel (Nota do Redator: no estado de Utah as bebidas alcoolicas pertencem ao governo e sao distribuidas de forma exaamente igual para todos os distribuidores e restaurantes. So existem 3 tipos de cerveja e todas fabricadas la e realmente sao uma bosta).

Um momento de extase veio a seguir. Bruce explicou como essa turne iria funcionar, snedo uma releitura da turne de 88 mas que eles iriam tocar músicas segundo ele "velhas" e ao fundo surgiu a intro de THE PRISIONER. A performance e a participacao do publico foram incriveis pois nao e uma música tocada constantemente pela banda e com toda certeza foi um dos momentos mais esperados do show.

Mais uma pequena pausa para um discurso descontraido do Bruce que apos sentir uma marola absurda sugere ara seu publico beber umas douas ou tres cervejas ao invez de fumar maconha.. foi quando um fa da grade arremessou um baseado na direcao do bruce que comecou a rir e disse que agradecia muito mas que ele nao fumava e mesmo que se fumasse seria contrabando pegar o baseado do chao... o publico foi a loucura com o tamanho bom humor do Bruce. Adrian Smith porem pegou o cigarrinho do capeta e escondeu rapidinho, nao sei dizer para que fins haha.

TWO MINUTES TO MIDNIGHT comeca seus primeiros riffs e o publico fica insandecido. A performance dos cara estava excelente nessa noite e por varias vezes Bruce deixou a plateia cantar o refrao pois todos estavam vomitando as letras em alto e bom som, fazendo a alegria da banda.

Antes de outro momento memoravel do show, Bruce fez uma longa apresentacao da proxima música e a dedicou aos fas mais fieis que acompanham a banda por todo o mundo. A emocao contagiou a todos e as luzes foram apagadas para o inicio de AFRAID TO SHOOT STRANGERS.

Muito ali presentes assim como eu nunca tinham visto essa música ao vivo e a forma com que foi apresentada e executada arrepiou a alma do mais novo metaleiro presente ate o mais experiente. Incrivel e emocionante.

Um mega classico pela frente. THE TROOPER comeca a ser tocada e entao um grande EDDIE em trajes da guerra civil entra em palco com uma imensa espada e tenta por varias vezes cortar a cabeca de Janick Gers que lhe da umas boas guitarradas nas partes intimas. Hilario. Um Eddie diferente e inovador. Por outro lado Steve Harris da um show a parte com tamanho carisma e energia e estuprando seu baixo de forma fenomenal. Epico.

As luzes se apagam novamente e uma antiga gravacao soa dos PA's. Uma voz grave de um senhor, citando a biblia enquanto um enorme cramunhao surgia por traz da bateria levando o publico a loucura mais uma vez e entao THE NUMBER OF THE BEAST comeca com imensas labaredas por todo o palco fazendo com que todos sentissem como se estivessem literalmente no inferno! extremo e incrivel!

PHANTOM OF THE OPERA veio a seguir como mais um classico almejado pelos fas mais novos e como sempre Bruce deu um show a parte cantando a mistica cancao originalmente lancada na voz de Paul DiAnno.

Apos um classico desse nivel veio uma verdadeira porra com RUN TO THE HILLS com Steve liderando o grupo com muita energia e disposicao. As guitarras estavam em perfeita harmonia com destaque (!) pro Gers que nao parou quieto um segundo sequer e tocou de forma impecavel. Adrian e Dave alternaram brincadeiras com um tocando a guitarra do outro. A banda inteira parecia muito feliz e disposta a fazer o melhor espetaculo possivel. E fizeram.

WASTED YEARS mesmo sendo comum nas ultimas turnes do Maiden foi muito bem vinda e cantada em unissono pela plateia que acompanhou cada riff a plenos pulmoes. Um imenso EDDIE surgiu atras da bateria como o profeta de Seventh Son. Laser vermelhos miravam o publico como se cada um ali estivesse tendo seu futuro escrito pelas maos daquela figura imponente.

Bom. Agora vinha o momento magico do show. A música sem duvida mais aguardada por todos ali. O palco ficou totalmente no escuro e estatuas de gelo foram erguidas por todo o palco. Um imenso orgao surgiu atras da bateria de Nicko onde um misterioso pianista trajava a mascara do Fantasma da Opera. Se tratava de Michael Kenney, o setimo e secreto membro da banda que os acompanha desde 1986.

Sendo o setimo membro acho que ficou claro o que viria a seguir. SEVENTH SON OF A SEVENTH SON foi introduzida com seus classicos coros ao fundo e o publico ja delirava nos primeiros segundos.

De cada lado do palco foram erguidos um anjo e um demonio segurando uma imensa vela. Bruce se posicionou no meio dos dois e com um simples aceno fez com que elas se acendessem fazendo com que o clima gerado pela música e pelo ambiente emocionasse cada um ali presente.

Performance impecavel de todos e Bruce mostrou mais uma vez seu poder cantando a música que talvez seja a mais dificil de toda a carreira da banda a ser executada ao vivo.

Delirio total da banda e do povo. Lagrimas podiam ser vistas. A magia havia tomado conta de todos. Incrivel.

THE CLAIRVOYANT veio pra botar mais fogo ainda e Steve alucinou a plateia com seu baixo.

Eu ja sabia o que viria a seguir e sabia que a multidao ia ficar insana por isso me segurei na grade o mais forte que pude e deixei o destino tomar conta do resto. FEAR OF THE DARK e manjada mas sempre faz a alegria de todos e imensas rodas foram abertas pelos mais exaltados.

"Scream for me Salt Lake City!!!" "Scream for me Salt Lake City!!!" THE IRON MAIDEN!!!!!

o hino da banda comecou e foi cantada por todos e Bruce a dedicou a todos que estavam ali presentes.

O encore nao demorou muito para chegar e Churchill's Speech anunciou que ACES HIGH viria a seguir. Logo no primeiro refrao, Bruce errou e comecou a gargalhar, deixando a banda no vacuo enquanto ele passava um bom tempo rindo. Cena hilaria. Uma música tao antiga mas que ainda hoje da trabalho pro nosso frontman favorito. Ele tem todo o credito do mundo para errar. Foi excelente mesmo assim.

Ah chegava o momento de uma das minhas músicas favoritas e talvez a segunda que eu mais aguardava no show. THE EVIL THAT MEN DO e magnifica especialmente ao vivo. Grande música, grande performance, grande emocao.

Sem parar o show foi fechado com RUNNING FREE de forma extensa pois Bruce brincou com o publico e apresentou toda a banda, sempre fazendo algum tipo de zoacao com Nicko.

O show foi de alto nivel e a energia desses veteranos e invejavel e nos serve de exemplo em muitos aspectos de nossas vidas.

Nao, nao teve Hallowed Be Thy Name mas mesmo sendo um mega classico a falta dela nao deixou a desejar. So senti falta de Infinite Dreams.

Eu tive a sorte de estar no lugar certo e na hora certa. Sem duvida foi a melhor apresentacao deles que eu vi ao vivo. Muita garra, suor e disposicao.

Obrigado por voces estarem na ativa e por nos dar tantas alegrias, IRON MAIDEN.

UP THE IRONS!!!

Ao final o vídeo da gravacao que eu fiz da abertura do show.

Set:

Moonchild
Can I Play With Madness
The Prisoner
2 Minutes to Midnight
Afraid to Shoot Strangers
The Trooper
The Number of the Beast
Phantom of the Opera
Run to the Hills
Wasted Years
Seventh Son of a Seventh Son
The Clairvoyant
Fear of the Dark
Iron Maiden

Encore:
Aces High
The Evil That Men Do
Running Free

publicidade




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Adrian Smith: relembrando passagem pela banda solo de Bruce Dickinson nos anos 90Adrian Smith
Relembrando passagem pela banda solo de Bruce Dickinson nos anos 90

Lista: álbuns perfeitos para apresentar o metal para iniciantesLista
álbuns perfeitos para apresentar o metal para iniciantes

Iron Maiden: Adrian Smith foi afetado pela fama, mas conseguiu se recuperarIron Maiden
Adrian Smith foi afetado pela fama, mas conseguiu se recuperar

Iron Maiden: todos os álbuns ao vivo, do pior para o melhorIron Maiden
Todos os álbuns ao vivo, do pior para o melhor

Iron Maiden: Adrian Smith revela porque Clive Burr e Paul Di'Anno deixaram a bandaIron Maiden
Adrian Smith revela porque Clive Burr e Paul Di'Anno deixaram a banda

Iron Maiden: Bruce Dickinson está empolgado com novo disco ao vivoIron Maiden
Bruce Dickinson está empolgado com novo disco ao vivo

Iron Maiden: Adrian Smith acha que as primeiras imagens de Eddie são violentasIron Maiden
Adrian Smith acha que as primeiras imagens de Eddie são violentas

Iron Maiden: Ouça a nova versão de Sign Of The Cross do próximo álbum ao vivoIron Maiden
Ouça a nova versão de "Sign Of The Cross" do próximo álbum ao vivo

Van Halen: Adrian Smith afirma que 99% dos guitarristas copiaram EddieVan Halen
Adrian Smith afirma que 99% dos guitarristas copiaram Eddie

Iron Maiden: as 50 melhores músicas da banda, segundo a Metal HammerIron Maiden
As 50 melhores músicas da banda, segundo a Metal Hammer


Jimmy Page: relembrando o show do Iron Maiden no BrasilJimmy Page
Relembrando o show do Iron Maiden no Brasil

Justin Bieber: primeiro a camisa do Metallica, agora a do Iron MaidenJustin Bieber
Primeiro a camisa do Metallica, agora a do Iron Maiden


Eddie Van Halen: Eruption foi um acidenteEddie Van Halen
"Eruption foi um acidente"

Guitarristas e vocalistas: os 10 melhores casamentosGuitarristas e vocalistas
Os 10 melhores "casamentos"


Sobre João Paulo Ramos

Carioca, estudante de arquitetura. A paixão pelo Metal surgiu aos 6 anos ao ouvir um K7 do álbum "Somewhere In Time", do Iron Maiden. Nos anos seguintes, álbuns como "No Prayer for the Dying" e "Fear of the Dark" consolidaram essa paixão, levando a uma busca às raizes do Metal. Atualmente fã incondicional do Metal Tradicional produzido por Iron Maiden, Judas Priest, Accept e Motorhead. Cultua com nostalgia mestres como Beatles e Pink Floyd e se empolga com o Thrash de bandas como Exodus, Megadeth, Slayer e Pantera. Publica suas crônicas e poemas na página New Poetry of Misery e outros trabalhos em seu site pessoal.

Mais matérias de João Paulo Ramos no Whiplash.Net.

WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin