Black Sabbath: Tony Iommi fala dos últimos momentos de Dio

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Por Alcides S. Maia Júnior, Tradução
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Em sua biografia, Iron Man – My Journey Through Heaven And Hell With Black Sabbath (Homem de Ferro – Minha Jornada pelo Céu e Inferno com o Black Sabbath), Tony Iommi relata seus últimos momentos com Ronnie James Dio.

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Adeus a um querido amigo.

Enquanto estávamos na última turnê, Ronnie estava sofrendo em silêncio. Ele me disse poucas vezes: “Eu estou tendo um problema com meu estômago. Eu continuo indo ao banheiro e estou tomando estes antiácidos.

Eu falei várias vezes para ele: “Você quer fazer um check-up?”

Ele dizia: “Sim, quando nós terminarmos eu serei obrigado a ir”.

Ele lutou por causa disso. Ele realmente se entregou totalmente até o fim. Ele não estava bem, mas ele ainda fazia os shows, e se apresentava como de costume. Após ele finalmente ter feito o check-up, alguém disse a Ralph Baker (empresário de Tony) o que estava acontecendo e na volta ele me ligou para me dizer que Ronnie tinha câncer no estômago. Foi horrível ouvir isso. Eu liguei para Ronnie e nós ficamos comovidos. Após um tempo as coisas melhoraram. Ele disse: “Eu estou lutando contra isso. Eu estou um pouco melhor”.

Ele estava muito otimista em relação a tudo isso, ele tinha uma grande atitude. Ele foi ao hospital e depois de um tempo eles disseram: “Acho que nós o tiramos”.

As coisas pareciam boas, então nós organizamos outra turnê na Europa, algo como vinte shows do meio de Junho até o meio de Agosto de 2010. Mas então nós recebemos a terrível notícia de que o câncer tinha se espalhado para o fígado de Ronnie. Era isso; uma vez que acontece é muito difícil.

Eu falei com ele um dia: “Eu espero ansioso para fazer esta turnê”. Mas Ronnie disse: “Bem, eu não sei como vai ser. Eu não sei se eu vou fazê-la.

Ele teve uma queda muito rápida. Fico agradecido de Geezer e Glória estarem em Los Angeles. Eles realmente ficaram próximos a Ronnie e sua esposa, Wendy, e eu fui vê-lo no hospital várias vezes. Geezer estava lá até o fim.

Eu realmente não pude me despedir apropriadamente de Ronnie. Eu recebi um telefonema dizendo que ele não teria muito tempo e eu disse a Ralph: “É melhor irmos”. “Vamos agendar um voo”. Mas a próxima ligação dizia: “É tarde demais”.

Isso foi rápido. Eu acho que a última coisa que eu recebi dele foi um texto. Ele se comunicava assim comigo, porque algumas vezes ele não conseguia ligar. Falar o deixava muito cansado, porque ele estava muito doente. Ele foi bravo até o fim.

Alguns dias antes do funeral Maria e eu fomos vê-lo na capela. Ele estava deitado no caixão e quando o vi eu fiquei devastado. Vê-lo daquele jeito era muito difícil. Realmente foi um golpe para mim quando ele partiu.

Quando alguém próximo a você morre, você sempre procura uma razão. Com Ronnie eu acho que foi um pouco de tudo, realmente. Eu acho que ele não fez o exame cedo o suficiente. Ele desconversava e diria: “Oh, eu farei da próxima vez”.

Seus hábitos alimentares não eram muito bons. Ele frequentemente bebia ao invés de comer e em alguns dias ele não comia nada. Eu não sei como ele fazia isso. Ele também comia em horas peculiares, porque ele tinha um estilo de vida realmente diferente de qualquer um na banda. Nós íamos para a cama depois dos shows e Ronnie ficava e tomava algumas doses de bebida por algumas horas e então ele parava em um posto e comia às quatro da manhã ou a qualquer hora que pudesse. Quando comia, ele nunca comia vegetais ou qualquer coisa do tipo; ele não comia qualquer coisa saudável. Como eu o conheço há muito tempo, ele sempre foi muito magro. Quando ele estava doente ele perdeu peso e ele realmente não tinha corpo para perder peso. Mas quando eu o vi pela última vez, ele estava renovado, ele parecia bem. Ele parecia como se estivesse adormecido, mas vê-lo ali, partiu meu coração. Nós íamos ao High Voltage Festival em Londres com Ronnie. É claro que nós cancelamos a turnê inteira, mas as pessoas que organizaram o festival nos disseram que eles gostariam de fazer um show em tributo à Ronnie. Nós pensamos que seria fantástico. Nós pensávamos em fazê-lo de qualquer maneira, então esta foi a oportunidade ideal.

Mas quem iria cantar? Glenn Hughes me veio a mente, porque ele nos conhecia há muito tempo e era amigo de Ronnie. Inclusive houve um memorial privado para os amigos próximos de Ronnie e Glenn cantou “Catch The Rainbow” na capela, uma das canções da velha banda de Ronnie, o Rainbow. Houve um memorial novamente no dia seguinte para os fãs em um grande local, e Glenn cantou lá. Então nós pensamos que seria apropriado tê-lo no show. Nós também convidamos Jorn Lande, que poderia cantar as coisas que nós fizemos com o Dio realmente bem.

Aquele show foi muito emocional. Ir ao palco com duas pessoas diferentes, e com Wendy Dio ao lado do palco chorando, foi difícil para todos nós. Mas nós queríamos fazer isso por ele.

Nós fizemos isso por Ronnie.

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Sobre Alcides S. Maia Júnior

Conheceu o rock ainda moleque através do futebol, ao escutar We Are The Champions do Queen, a partir daí foi conhecendo diversas bandas clássicas como Black Sabbath, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin, Rainbow, Judas Priest, Iron Maiden, Candlemass, entre outras.

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