Monsters of Rock: o que o festival nos ensina sobre preconceito
Por Bruce William
Fonte: Xadrez Verbal
Postado em 29 de abril de 2015
Matéria de Filipe Figueiredo, publicada no Xadrez Verbal, trata da questão do preconceito e faz um paralelo com as bandas que participaram do Monsters Of Rock em São Paulo, confira no link a seguir o texto completo e alguns trechos mais abaixo:
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A música é uma das maiores expressões culturais e artísticas da humanidade e, como toda forma de arte, não é estanque, ela dialoga com o cotidiano, com a política. Pode demonstrar, ou denunciar, aspectos de uma sociedade(...) E um fenômeno social e político brasileiro é o de roqueiros e headbangers ("batedores de cabeça" em tradução literal, termo sobre quem gosta de heavy metal) que possuem posturas extremamente conservadoras. Não se trata de diferentes argumentos e perspectivas políticas válidas, mas de uma postura moralista, julgadora. Muitas vezes chega-se ao preconceito, o que é, no mínimo, contraditório quando se trata de rock'n'roll e de heavy metal.
Dada a devoção ao rock, ao heavy metal, às suas bandas preferidas, o roqueiro é um devoto. "Iron Maiden is my religion" (Iron Maiden é minha religião; Iron Maiden é uma banda britânica de heavy metal). O comportamento cria uma espécie de ideologia que coloca alguns gêneros musicais como superiores; o rock, o "metal verdadeiro", um comportamento que gera piada e sátiras, como os "tr00s", brincadeira com o termo em inglês true metal. Por consequência, outros gêneros são inferiores, muitas vezes, aqui no Brasil, os gêneros tipicamente locais, como axé ou pagode. Que não precisam agradar ao ouvido de ninguém, sequer agradam aos desse autor.
No País, soma-se o fato que boa parte das pessoas que gosta dos gêneros aqui tratados são, normalmente, pessoas que se dedicam ao estudo da língua inglesa, já que o idioma é praticamente a língua universal do rock. Não existe um headbanger que não tenha aprendido um pouco de inglês com um encarte com as letras e um dicionário na mão (ou no Google, para a nova geração). Isso cria ainda mais uma aura de superioridade ao estilo, ao gênero e aos seus adeptos. E quem julga o que o outro coloca em seu fone de ouvido, pode muito bem julgar o que o outro pensa ou como leva sua vida. Quando o rock deveria ser sobre exatamente o contrário.
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