Jackdevil: "O Maranhão não se resume apenas ao Metal Open Air"
Por Pedro Lucas Sousa
Fonte: Rock Meeting
Postado em 26 de outubro de 2015
Em entrevista, vocalista e guitarrista do Jackdevil falou sobre o circuito da música pesada no Nordeste, boatos de xenofobia com bandas da região e o evento M.O.A
Nos dias 20, 21 e 22 de abril do ano de 2012, um evento que prometia entrar para a história do rock brasileiro seria realizado em São Luís do Maranhão, antes lembrada por sua crise sócio-política, por ser a terra do reggae e conhecida carinhosamente como "Ilha do Amor". O evento pretendia ser promovido aos moldes do gigante alemão Wacken Open Air, mas sucumbiu e nem tudo saiu como o planejado, frustrando assim diversos amantes do metal. O Metal Open Air acabou encravado na memória do grande público como uma das tragédias mais emblemáticas no estilo, dentro do território nacional. A repercussão foi tamanha que chamou a atenção de todo o país, atraindo boa parte da imprensa nacional para a capital maranhense.
Após quatro anos, o vocalista e guitarrista André Nadler disse à jornalista Pei Fon, da revista digital Rock Meeting, que não há motivo para o Maranhão ser estigmatizado pelo M.O.A. Nadler também falou sobre casos de xenofobia no metal.
A mesma entrevista também contou com assuntos como a turnê ao lado da banda britânica Onslaught e sobre o lançamento do segundo disco de estúdio do Jackdevil, o "Evil Strikes Again" que também ganhou um videoclipe da faixa-título do álbum recentemente. Confira o novo vídeo da banda e parte da entrevista.
Vindos de São Luis. Nordeste. O que vocês podem relatar em relação as diferenças regionais e o tratamento do público?
Quando falamos que somos de São Luís do Maranhão duas palavras sempre surgem nos diálogos com pessoas de outras localidades: José Sarney e Metal Open Air. Agora afirmar que somente isso representa o nosso estado é ignorância demais. (risos) Até hoje nunca fomos tratados de forma diferenciada por causa da nossa naturalidade e se alguma ocasião futura isso acontecer sequer iremos nos importar, pois quem se rebaixa é a pessoa que, agindo de tal forma, se mostra estúpido. O ser alienado é justamente aquele que não procura seu lado autêntico, deseja ser de outro lugar e lamenta ter nascido no seu, tecendo uma espécie de vergonha da sua realidade.
Nós do Jackdevil valorizamos o "seja você mesmo!" e tentamos dar um bom exemplo tratando todos da melhor forma possível, sem discriminação alguma. Por fim, posso afirmar com propriedade que o cenário musical de bandas pesadas do Nordeste revela atualmente a mesma quantidade de bandas que as outras regiões do Brasil como novas promessas do rock n’roll brasileiro, portanto acredito que a diferença de onde sua banda surge talvez cause estranheza na primeira ocasião, mas logo em seguida tal complicação cai por terra, pois no Brasil existem talentos e grandes nomes vindos dos quatro cantos do país.
Na sua opinião, o extremismo ideológico pode afetar o cenário musical?
Todo e qualquer tipo de extremismo, em qualquer área que seja, manifesta debates fervorosos e rende polêmicas infinitas. Feminazis, gayzistas, crentelhos, chateus, coxinhas, fascistas, defensores de bandido, hoje em dia parece estar na moda criar adjetivos pejorativos e preconceituosos para todos que possuem ideais semelhantes também sejam acusados de extremistas. Mas o grande problema do extremismo ideológico é aquela história de "ver chifre em cabeça de cavalo". Tem gente por aí, da política à música, que vive em torno de trabalhar no massacre de toda e qualquer opinião discordante, enquanto, por outro lado, relativizam as falhas e exageros do seu movimento. Sentem-se à vontade para destilar preconceitos contra seus adversários, mas ficam atentos a qualquer opinião contrária que lembre vagamente um conceito discriminatório.
Vocês estão embarcando para uma turnê muito especial com o Onslaught. Nervosos com a primeira tour internacional?
Acho que o primeiro passo para um bom desempenho no seu trabalho é não levantar muitas expectativas e prezar pela execução do deve ser feito. Claro que você se orgulha em ver suas atividades ganhando reconhecimento, mas é necessário não deixar que as conquistas subam a cabeça e alterem sua personalidade. Estamos felizes com a repercussão da turnê e o trabalho do nosso tour manager, o Caio Schramm da Cronos Entertainment, tem realizado um trabalho excelente e diferenciado. Foi, sem dúvidas, uma das parcerias mais importantes que fizemos nos últimos tempos e pelo visto não acabará tão cedo. Na ‘Evil Strikes Again Tour 2015’ temos várias cidades do Brasil e de outros países para nos apresentarmos e estamos levando o que há de melhor do Jackdevil.
Você pode conferir a matéria na íntegra fazendo o download da Revista Rock Meeting através do link abaixo.
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