Marcelo Nova: "a obra de Raul é atemporal, válida hoje e provavelmente daqui a 200 anos"

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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"Toca Raul!". Quem já foi a qualquer show de rock no Brasil já ouviu esse bordão. O mais popular dos roqueiros brasileiros faleceu em 1989, quase trinta anos atrás, mas sua influência na música brasileira e apelo popular indubitavelmente permanece. É este bordão que dá nome à turnê da banda CAMISA DE VÊNUS, outros gigantes do rock nacional, cuja última apresentação em São Paulo é nesta sexta-feira. Nesta turnê especial, a banda está tocando grandes clássicos da parceria de Marcelo Nova com o eterno e inesquecível Raul Seixas, além de grandes sucessos do grupo, no Teatro Bradesco, em São Paulo. O CAMISA é capitaneado por Marcelo Nova, com quem RAUL gravou o último disco de estúdio ("A Panela do Diabo", 1989) e com quem conversamos na entrevista que você confere agora, com exclusividade para o Whiplash.net.

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Daniel Tavares: Oi, Marcelo. Pra começar, como vai ser este último show da turnê? Como é o repertório, semelhante aos anteriores ou teremos novidades? Ainda, há planos futuros para a turnê? É possível que ela se repita neste formato?

Marcelo Nova: Na verdade Esse é o último show em São Paulo. Na agenda temos ainda algumas apresentações a serem feitas em outras cidades, mas aqui em São Paulo, esse é o último show. Ela vai até novembro porque em novembro nós já vamos estar lançando um trabalho novo do CAMISA. E então a turnê toca Raul vai até novembro, sendo que esse show agora do dia 28, sexta-feira, é o último a ser realizado aqui em São Paulo.

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Daniel Tavares: Vai sair algum registro da turnê, disco ao vivo ou DVD, algo que vocês já tenham gravado ou ainda podem gravar? A propósito, você acha que ainda compensa lançar DVDs hoje em dia?

Marcelo Nova: Na verdade, não vai sair nenhum disco, nenhum registro dessa turnê. E quanto ao fato de se eu acho que vale a pena lançar DVD's hoje em dia, bem, todos os meus trabalhos eu procuro registrá-los ou em Blu-ray, em DVD, em CD, em vinil, mas dá trabalho. São para ser registrados pelo menos aqueles que não se destinam ao consumo imediato e eu espero que esse de consumo imediato não seja o meu caso.

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Daniel Tavares: Como você enxerga a popularidade do Raul hoje? Você acha que ele é tão popular hoje quanto foi antes?

Marcelo Nova: A popularidade de Raul, ele era popular em vida talvez até tenha se tornado mais popular ainda depois da morte e e acho que o motivo principal disso talvez seja, além do talento evidentemente, a atemporalidade da obra. Ela não foi feita situada em nenhum período da história. Ela era válida nos anos 60, 70, como é válida hoje e provavelmente será daqui a 200 anos.

Daniel Tavares: Você tem ouvido alguma banda nova de hoje? Qual?

Marcelo Nova: Tem um artista novo chama-se WILLIE NELSON. Ele acabou de lançar um disco agora chamado "My Way" onde ele faz interpretações de canções de um cara que começou também muito pouco tempo atrás, um cara chamado FRANK SINATRA.

Daniel Tavares: Vocês (Nova e Raul) planejavam alguma coisa, alguma outra turnê depois da "Panela do Diabo"?

Marcelo Nova: Não, não planejávamos nada. Pelo contrário, ele morreu em agosto e nós iríamos com a turnê. Tínhamos planejado de ir com a turnê até dezembro, então depois ele seguiu o caminho dele eu seguiria o meu, até porque não éramos uma dupla sertaneja.

Daniel Tavares: E quanto a ele? Há relatos de que ele estaria um tanto triste durante a turnê. Isso é verdade?

Marcelo Nova: É curioso essa pergunta a respeito de tristeza de Raul, porque na verdade, o RAUL era um cara muito bem humorado no dia a dia, no convívio diário. Ele era uma pessoa muito bem-humorada. Agora, momento de tristeza ou de introspecção todos Nós temos. Basta você ter sensibilidade. Quem vive feliz 24 horas por dia é idiota.

Daniel Tavares: Voltando ao presente, como é a sensação de tocar ao lado de seu filho, Drake Nova?

Marcelo Nova: A sensação de tocar com Drake é muito boa, né? Eu nunca planejei isso. Ele desde os 3 anos 4 anos ele já brincava com plástico e essa vontade foi se acentuando nele ao ponto de que hoje ele já toca comigo há 10 anos e e é o meu guitarrista, meu parceiro em algumas canções, ele produz discos comigo, ele masteriza, ele encontrou na música um caminho que lhe parece ser definitivo.

Daniel Tavares: Vamos falar um pouco sobre o último disco do CAMISA DE VÊNUS agora. Como você viu a receptividade a esse novo trabalho, "Dançando na Lua", depois de tanto tempo sem lançar um álbum completo?

Marcelo Nova: É curiosa a receptividade a respeito do "Dançando na Lua". Essa unanimidade de críticos e de apreciadores da música colocando como, provavelmente, o melhor disco de toda a carreira do Camisa de Vênus. É que, na verdade, no início, havia da minha parte... eu sempre revidava os ataques daquela coisa do Rock dos anos 80. Marcelo Nova é isso, Marcelo Nova é aquilo. E eu respondia. Eu revidava. Eu sempre gostei de estar no ringue. Então, os comentários normalmente não eram sobre os discos do CAMISA, eram sobre Marcelo Nova, que é arrogante, que é isso, é o topete é a costeleta... então essa geração envelheceu e deu lugar a uma outra geração, como disse, de apreciadores de música, de críticos, jornalistas, enfim, e esses caras não tiveram esse tipo de embate comigo, então eles veem o meu trabalho como meu trabalho. E aí surgiu o "Dançando na Lua" e vieram críticas altamente elogiosas ao disco e é bom é bom ser apreciado pelo meu trabalho e não pelo pelo tamanho do meu topete, entendeu?

Daniel Tavares: A propósito, quais são os cinco mandamentos que são besteira (que você cita na canção "O Estrondo do Silêncio")?

Marcelo Nova: Olha, os cinco mandamentos que são besteira no Estrondo do Silêncio você escolhe os que você acha. São 10. 5 são besteiras. Você pode escolher os seus cinco favoritos.

Daniel Tavares: Você, que fez música no fim do período da ditadura, que teve muitas canções censuradas, como enxerga o posicionamento de muitos brasileiros hoje em favor daquilo contra vocês tanto lutaram, como a ascensão de políticos como Bolsonaro, etc? Mas também qual seria a alternativa, no seu modo de ver, diante de tanta corrupção e impunidade que decepcionaram quem antes acreditava em nossa democracia?

Marcelo Nova: A única alternativa para a evolução, a nossa evolução como povo brasileiro é esperar o tempo passar. Talvez daqui a 3, 4, 5 séculos, o Brasil tenha evoluído e tenha chegado a uma posição de maior grau de civilidade, de cultura, de educação, né, dessas questões com as quais lidava Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Jânio Quadros, Governo Militar, Sarney, Fernando Henrique, Collor de Mello, Lula, Dilma, Temer... O que mudou o Brasil com todos esses governantes? Fomos da extrema-esquerda com a guerrilheira Dilma à extrema-direita com Garrastazu Médici e as questões fundamentais continuaram sem ser resolvidas. Nós hoje continuamos falando que o Brasil precisa de saúde, de segurança, de um transporte digno, de trabalho, emprego e as mesmas questões que havia desde... E eu comecei com Getúlio Vargas. Poderia ter começado antes. Então o que muda um povo não é essa bobagem de ficar escolhendo o candidato, o que muda um povo e a chegada de novas gerações de novas ideias a incorporação dessas novas ideias, que vão se amalgamar com ideias antigas. Então você tem a dança do dois para frente um para trás. Nada é assim imediatista, de rápida e de fácil solução. Não. Talvez o Brasil mude para os meus tá tará tá tará tá tará tá tará tá tará netos talvez.

Fotos: Carina Zaratin

Serviço:

Para essa série de shows tão especiais, Marcelo e o baixista Robério Santana convocaram os músicos Drake Nova (guitarrista e filho de Marcelo), Leandro Dalle (guitarra) e Célio Glouster (bateria), artistas talentosos, competentes e criativos que tocam juntos há tempos e formam uma excelente e afiada banda, já devidamente entrosada com Marcelo Nova e com o repertório do Camisa de Vênus.

SÃO PAULO (SP)
Dia 28 de setembro
Sexta-feira, às 21h
Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, 500 / 3º piso – Bourbon Shopping São Paulo)
http://www.teatrobradesco.com.br

INGRESSOS
Setor Valor Meia-Entrada
Frisas 3º andar R$ 60,00 R$ 30,00
Frisa 2º andar R$ 70,00 R$ 35,00
Frisa 1º andar R$ 80,00 R$ 40,00
Balcão Nobre R$ 90,00 R$ 45,00
Plateia (O a W) R$ 100,00 R$ 50,00
Plateia (A a N) R$ 120,00 R$ 60,00
Camarote Prime R$ 120,00 R$ 60,00




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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