Roger Waters: músico dá a entender que já está bem perto de se aposentar
Por Igor Miranda
Fonte: Rolling Stone, Ultimate Guitar
Postado em 23 de abril de 2020
O músico Roger Waters, ex-Pink Floyd, sugere que sua aposentadoria da música - ou, pelo menos, dos palcos - pode estar próxima de acontecer. Em entrevista à Rolling Stone transcrita pelo Ultimate Guitar, ele disse que não se imagina fazendo o que faz atualmente quando estiver com mais de 80 anos. Hoje, ele tem 76 anos e chega aos 77 ainda em 2020, no próximo dia 6 de setembro.
O assunto veio à tona após o entrevistador comentar que vários grandes artistas de turnês fazem parte do grupo de risco do novo coronavírus, pois têm mais de 65 anos. Waters, então, comentou que pensou bastante ao anunciar sua próxima turnê, "This is Not a Drill" - que acabou adiada devido à pandemia -, pois sente os efeitos da idade.
"Refleti muito e de forma bem dura antes de marcar essa turnê para o meio do ano porque eu estava cansado, apesar de ter concluído minha turnê anterior há 10 meses ou mais", afirmou, inicialmente.
Em seguida, o artista comentou que fez apresentações de sua turnê mais recente com uma infecção bacteriana. "Falando de fatores de risco, eu estava fazendo shows por meses com uma infecção bacteriana e não estava me sentindo bem, mas o show precisa continuar. Quando a turnê parou, fiquei mais saudável, descobri o que era e me curei. Consigo fazer essas coisas, mas tenho 76 anos e logo vou estar com 77", disse.
Roger Waters comentou que suas atividades intensas na estrada não seguirão por tanto tempo. "Acho difícil fazer um show de rock de arena quando eu estiver com 80 anos ou mais. E isso está a 4 ou 5 anos de distância. Tudo chega ao fim. É diferente se você é B.B. King ou alguém do tipo. Ninguém vive para sempre, mas há uma diferença entre cantar blues sentado em uma cadeira e fazer o que eu faço", apontou.
O ex-Pink Floyd foi perguntado se chegou a pensar que a turnê "The Wall Live", realizada entre 2010 e 2013, seria a última dele. Após essa, Waters realizou apenas mais uma tour, "Us + Them", entre 2017 e 2018, que chegou a ter vários shows no Brasil.
"Nunca se sabe", respondeu. "Mas estou muito entusiasmado com o que estamos fazendo agora, parte disso porque tem essa ideia nova em que uma parte é um show de rock de arena e a outra é como cinema. Eu devo empregar atores para interpretarem personagens, então é como cinema. E estou levando isso muito a sério. Já estou montando elenco e escrevi todo um roteiro, mas é como eu expresso meu amor e minhas crenças políticas", completou.
Assista à entrevista na íntegra (em inglês, sem legendas) no player de vídeo a seguir:
Turnê de Roger Waters adiada
No fim de março, Roger Waters revelou nas redes sociais que a turnê "This is Not a Drill" seria adiada para 2021. As apresentações aconteceriam nos Estados Unidos entre julho e outubro deste ano, em meio à corrida eleitoral para presidente do país.
"Vou ter que adiar minha turnê até o ano que vem. Uma pena, mas se salvar uma vida, vale a pena", afirmou Waters, em menção à pandemia do novo coronavírus, que tem provocado adiamento e até cancelamento de eventos musicais por todo o mundo.
Em entrevista à 'Rolling Stone', Roger Waters havia afirmado que a nova turnê terá abrangência política ainda mais forte do que a sua anterior, "Us + Them". O giro anterior passou pelo Brasil e gerou polêmica - logo no primeiro show, em São Paulo, o músico expôs a hashtag "#EleNão" em seu telão e incluiu o nome do então presidente Jair Bolsonaro em uma lista de políticos "neofascistas". Parte da plateia vaiou Waters, que substituiu o nome de Bolsonaro por "ponto de vista censurado" nas datas seguintes.
"A nova turnê será ainda mais política do que 'Us + Them' - mais política e mais humana", afirmou ele. Em um vídeo, o músico completou: "A medida que o relógio corre mais rápido até a extinção, parecia uma boa ideia fazer barulho a respeito. Por isso, vou para a estrada. Sendo franco, precisamos mudar a forma como nos organizamos como humanidade - ou morreremos".
Roger Waters havia declarado, ainda, que posicionou as datas da turnê pelos Estados Unidos de forma estratégica, pois seria realizada durante a corrida eleitoral dos candidatos à presidência para 2020. Agora, porém, os shows não acontecerão mais nesse período - a menos que o pleito também seja adiado, o que é improvável.
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