Scalene: em meio à crise, banda desativa CNPJ e revela cachês de lives
Por Igor Miranda
Postado em 25 de maio de 2020
O guitarrista e tecladista Tomás Bertoni, do Scalene, falou sobre os efeitos da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus em sua banda durante entrevista ao site 'G1'. A conversa também foi reproduzida no podcast 'G1 Ouviu'.
Durante o bate-papo, o músico revelou que o Scalene decidiu desativar seu CNPJ, cadastro de pessoa jurídica, para economizar durante os meses sem shows. A banda ainda precisou renegociar custos com assessoria de imprensa e digital. Com capital de giro e renda oriunda do streaming, será possível seguir sem shows até dezembro, segundo Bertoni.
"Acabei de sair de uma reunião com o contador para perguntar como faz para declarar falência. Obviamente eu estava sendo dramático, porque imaginei que tivessem outras formas menos cinematográficas de poupar custos do CNPJ de uma banda que está no meio de uma pandemia. Essa opção existe que é deixar o CNPJ inativo. [...] Para que a gente tem CNPJ? Para emitir a nota de uma live a cada mês que deve rolar com algum cachê? Então a gente emite nota de outras formas, faz um MEI, não sei o que a gente vai fazer", afirmou o músico, sobre a questão do CNPJ.
Em termos de shows, o Scalene ainda iria engrenar em 2020, pois os primeiros meses não têm grande demanda para bandas de rock devido ao carnaval. Sem poder subir nos palcos, a alternativa foi recorrer às lives. O grupo chegou a criar um projeto chamado "Respirando na Quarentena", com transmissões pagas. "Deu uma grana mas era muito trabalho, cinco lives por semana... A gente não imaginava que a demanda ia ser tão grande fora isso (durante a quarentena). Vamos encerrar o projeto no fim de maio e talvez voltar depois, mas repaginado", disse Tomás.
Os cachês de lives em geral variam conforme a estrutura utilizada. "Do mesmo jeito que cachê de show varia porque depende muito do contexto para o qual a banda está sendo contratada, a live é a mesma coisa. Só é mais complicado ainda, porque depende do nível de qualidade que a galera que está contratando quer. A gente já ganhou cachê de R$ 2 mil e já ganhou um custo colocado de mais de R$ 10 mil, que a gente gastou parte com equipamento, mas sobrou uma boa grana e conseguimos pagar a equipe", afirmou.
O músico comentou, ainda, que usou o cachê de uma live comemorativa do aniversário de Brasília para pagar a equipe de show inteira. Vale destacar que os profissionais em questão costumam trabalhar por demanda, sem contrato fixo.
A entrevista pode ser conferida, na íntegra, no 'G1' e no podcast 'G1 Ouviu'.
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