Arcana Mea: Em entrevista, banda gaúcha fala sobre o primeiro álbum
Por Maicon Leite
Postado em 03 de junho de 2020
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A banda gaúcha ARCANA MEA foi fundada no final de 2014 após o encerramento das atividades da banda Suicidevotion. Oriunda do interior do Rio Grande do Sul, o ARCANA MEA aposta na mescla de estilos, unindo elementos Thrash Metal, Death Metal, Groove Metal e Progressive Metal, muito bem representados em seu debut, "Endless Suffering". Douglas Correa (vocal/guitarra), Gabriel Vargas (guitarra), Gabriel Azevedo (baixo) e Jeferson Oliveira (bateria) tem trabalhado na divulgação do álbum e ao mesmo tempo já pensam num próximo registro, como declarado na entrevista realizada em maio com Douglas Correa e Jeferson Oliveira.
Fundado oficialmente no final de 2014, após o encerramento das atividades do Suicidevotion, o ARCANA MEA não parou de trabalhar desde então, culminando agora com o lançamento do debut "Endless Suffering". Porém, como foi esse período do Suicidevotion? Quais os motivos que levaram a banda a trocar de nome?
Jeferson Oliveira: Eu sou o único remanescente dessa época. A Suicidevotion fez uma bela jornada durante seus quase quatro anos de underground. Fez vários shows pelo RS e gravou o EP "Inner Hate". Esse material teve uma aceitação muito boa no Reverbnation. Mudou algumas vezes de formação e em uma dessas trocas acabou chegando o momento de tomar um novo rumo na trajetória da banda. Saíram os dois guitarristas de uma vez só, foi quando chamamos os Gabriel Vargas para uma conversa. Foi o primeiro passo para o surgimento do ARCANA MEA, logo depois já começamos os ensaios e veio o single "Beyond My Mind".
A cidade natal da banda, Cachoeira do Sul, fica no coração do Rio Grande do Sul, entre os polos da região metropolitana de Porto Alegre e de Santa Maria. Como o Heavy Metal é encarado aí e que bandas da cidade você poderia indicar aos leitores?
Douglas Correa: Cachoeira do Sul, capital do arroz! Uma cidade interiorana, conservadora e antiga nos seus costumes. Falar de Heavy Metal aqui é um pouco complicado. Pouco espaço, baixos recursos e estrutura para eventos específicos do gênero. As bandas que aqui existem ou existiram sempre tiveram que trabalhar em dobro para conseguir expor seu trabalho. O público ouvinte desta vertente do Rock é pequeno, porém, alguns, muitos fiéis. Desde o nosso surgimento já existiam muitas bandas, mas infelizmente, por diversos fatores, não duraram muito tempo. Somos do grupo guerreiro que manteve e manterá a chama forte e firme! Em atividade, temos os amigos da Rotten Filthy, que tem uma grandiosa história e experiência tocando cidade e Estado a fora!
Apostando na mescla entre o Thrash, Death e Groove Metal, o Arcana Mea tem ainda em seu background o Progressive Metal, forjando assim um caldeirão de influências que moldam o som do grupo. Como foi juntar todos estes elementos? Quais músicas de "Endless Suffering" poderíamos considerar os frutos destas influências tão variadas?
Douglas Correa: Queríamos fazer algo que mesclasse tudo aquilo que gostamos dentro do Heavy Metal. Hoje, as bandas precisam inovar e buscar cada vez mais aperfeiçoar-se como músicos. É nunca estar na zona de conforto e buscar evoluir cada vez mais! Músicas como: "I Will Never Die, Pray For Your Life e Kill Them", mostram a união de toda as nossas influências. Queremos para o próximo álbum, aprimorar ainda mais esta ideia!
Ouça "Endless Suffering" no Youtube:
Composto de oito faixas, "Endless Suffering" aborda temas característicos do Heavy Metal, em especial, "Juízo Final", única composição cantada em português e que aborda as guerras santas. Apostar na nossa língua ajuda a transmitir a mensagem da banda de forma mais clara?
Douglas Correa: Com certeza! E um de nossos planos é apostar mais em letras em português. Gostamos muito de bandas como RDP, Project 46, Desalmado, Confronto, Gloria, Claustrofobia, Dead Fish, etc.... É muito interessante e desafiador cantar em nossa língua. É gratificante demais presenciar a identificação do público com as músicas e letras. E isso é uma de nosso objetivos principais! Só as bandas terem a certeza que realmente a mensagem, seja ela pessoal ou política, foi transmitida é grandioso e gratificante!
"Endless Suffering" começou a ganhar vida em setembro do ano passado, produzido pelo guitarrista Gabriel Vargas. Antes disso, vocês já haviam lançado dois singles, dando uma amostra do material que seria lançado agora em março. Com um integrante da própria banda cuidando da produção do álbum, o processo se tornou mais simples? Planejam seguir desta forma em um registro futuro?
Douglas Correa: Apostar neste método de produção foi uma forma financeiramente mais viável para a banda, no momento. Vargas buscou aperfeiçoar-se para dar o seu melhor na mixagem. Sabíamos que o desafio seria grande e que as limitações estariam presentes. Mas, encaramos com garra e sem medo. As experiências de estúdio com outras produções nos ajudaram muito no processo de produção. Tiramos deste álbum coisas boas e ruins, principalmente na parte de produção. Resumidamente, todo o processo, durante este período, foste um ótimo aprendizado que nos beneficiará na produção do próximo álbum.
Lançado oficialmente no dia 13 de março, o álbum foi disponibilizado inicialmente apenas no Youtube, ao mesmo tempo em que saíam as cópias físicas. Porém, por obra do destino, foi quando a pandemia adentrou no Rio Grande do Sul, adiando os planos de fazer uma festa de lançamento e shows para divulgação. De que forma vocês tem lidado com esta situação? Há planos de investir em ações virtuais para divulgação?
Douglas Correa: Para o artista a pandemia veio como um tsunami e destruiu tudo. Planos, objetivos, sonhos.... Porém, abriu leque para o mundo virtual. Lives, Instagram, vídeos, tem sido uma forma de conquistar e manter o contato com o público de forma ativa. Nós, aproveitamos este caos mundial para iniciar o processo de composição para o novo álbum. Composições e estruturas musicais, temas, reuniões virtuais para traçar planos de oque precisamos melhorar e de que forma direcionar musicalmente o próximo álbum.
Com a parceria iniciada com a Wargods Press, "Endless Suffering" ganhou sua versão em todas as plataformas digitais. Partindo para um lado mais pessoal, como vocês enxergam a eterna luta entre a mídia física x virtual?
Douglas Correa: O mercado da música exige que o músico se atualize constantemente. A tecnologia está presente diariamente em nossas vidas. Pessoas querem o acesso de forma mais rápida possível. E é durante essa exigência que entram as plataformas digitais. Facilitam e expõem o trabalho do artista em apenas um click. Entretanto, vale ressaltar que o amante do Heavy Metal, do Rock em geral, coleciona e faz questões de apoiar seu artista comprando o material da banda. É um peso na balança que as bandas precisam trabalhar sempre!
Dentro das possibilidades, quais os planos futuros para a banda?
Douglas Correa: Estamos iniciando o processo de composição para o novo álbum. A pandemia destruiu nossos planos de agendamento de shows do semestre. Cabe-nos aproveitar este momento para planejar logísticas futuras para shows, parcerias com outras bandas para possíveis tours. Mas também, é um ótimo momento para juntar ideias, letras, linha de guitarra. Enfim, discutirmos em qual direcionamento estaremos levando o futuro álbum.
Pessoal, muito obrigado pela entrevista! Gostariam de deixar um recado final para os leitores?
Jeferson Oliveira: Muito obrigado pelo espaço cedido! Isso fortalece muito o trabalho das bandas que buscam seu espaço! Nosso muito obrigado a nossos amigos e fãs que nos seguem nas redes sociais e a todos que curtem nosso trabalho. Continuem ouvindo as bandas do nosso underground, tem muita coisa boa espalhada pelo país, comprem o merchandising delas, compartilhem seu material, etc. Apoiem nosso underground. Forte abraços a todos.
Mais informações:
https://www.facebook.com/ArcanaMeaOfficial
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