Bruce Dickinson: os shows que mudaram sua vida - incluindo um no Brasil
Por Bruce William
Postado em 10 de agosto de 2020
A Kerrang! mostra nesta matéria quais os shows que mudaram a vida de Bruce Dickinson, do Iron Maiden. Trechos traduzidos podem ser vistos abaixo, e o texto completo (em inglês) está neste link.
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A estreia de Bruce no Iron Maiden, realizada durante a Killer World Tour em Bologna, na Itália, no dia 26 de outubro de 1981
"Eu já vinha tocando com o Samson, mas aquilo foi muito diferente! A analogia que sempre usei é comparar um jogo de terceira divisão com um de primeira(...) Acho que nem sequer abri os olhos nas quatro primeiras músicas. Todos, incluindo a equipe da banda, estavam de olho em mim como se eu tivesse duas cabeças! Mas eu sabia que aquilo iria acontecer e eu precisaria lidar com aquilo(...) E como se não bastasse eu estar sendo apresentado, também estávamos tocando material do 'Number of the Beast' que ninguém tinha ouvido ainda, então o show era bem diferente do que os fãs estavam acostumados a ver. No final, senti que havia feito um bom trabalho, mas nem tudo foi conquistado em um único show, ainda era um trabalho em andamento, mas a sensação é que estávamos no caminho certo".
O primeiro show da World Slavery Tour em Varsóvia, Polônia, no dia 9 de agosto de 1984
"Começamos a World Slavery Tour em Varsóvia, e excursionamos por países atrás da Cortina de Ferro. Algumas bandas já haviam se aventurado por aqueles territórios, mas fomos os primeiros mais famosos, de ponta, a ir até lá, em plena Guerra Fria. Não faço ideia do motivo pelo qual começamos ali(...) eu já estava na banda há algum tempo e estávamos crescendo, mas era a primeira vez que eu ia a um país onde o Maiden ainda não havia tocado. Eu não sabia o que esperar, mas a recepção foi absurda, não eram apenas pessoas que gostavam da banda que estavam enlouquecendo durante um show, não éramos somente uma atração de sábado à noite - havia no ar ventos de uma mudança de verdade, e nós representávamos aquele sentimento de 'Wow! Somos um país livre!'. Não tinha nada a ver com rock'n'roll mas sim com se ver livre do comunismo, era um momento de esperança e nós estávamos ali no meio".
Rock In Rio, Rio De Janeiro, Brasil, 11 de janeiro de 1985
"Foi um show absurdamente grandioso, mas eu estava muito agitado. E além disso não consegui dormir. Normalmente depois um show eu levo algumas horas para desacelerar o ritmo, mas desta vez eu estava tão cheio de adrenalina que não acalmava nunca. Cerveja não fez efeito. Lembro de passar a noite toda acordado, vi o dia amanhecer e ainda estava agitado. Não dá pra fazer shows assim sempre, senão você acaba morrendo! Estava tão esgotado quando finalmente consegui me acalmar, não havia uma célula do meu corpo que não estivesse exausta, e você pode ver isto na filmagem".
"Conquistamos um continente inteiro da noite pro dia com aquele show, e alcançar aquilo que conseguimos na América do Sul foi extraordinário. A América do Norte já estava ok, Canadá, Europa Oriental também - ainda tínhamos a Rússia pela frente, mas isto viria depois. Fomos para o Japão, Austrália e Nova Zelândia... agora éramos uma banda global! Pra mim era como se o mundo tivesse se encolhido, meio que conquistamos todos os lugares, não apenas tocamos neles mas causamos um impacto. Porém foi trabalho duro. A World Slavery Tour foi ótima, mas em nível pessoal eu tinha comigo que não iria aguentar outra turnê de treze meses de duração, eu estava acabado. Mas o Rock in Rio foi algo simplesmente inacreditável".
Monsters Of Rock, Donington Park, Inglaterra, 20 de agosto de 1988
"Este foi muito grande. É bom ser considerado um Monstro do Rock! Percorremos um longo caminho. O que mudou desde que entrei na banda é que havia na época uma certeza do que era pra ser feito, algo mais próximo de confiança. E você adquire mais confiança por meio desta certeza no que você está fazendo, e aos poucos você vai definindo sua identidade. Ultrapassamos tudo que podíamos imaginar, e Donington é um exemplo disto. Não havia nenhum limite físico no lugar, então a capacidade era maior do qualquer coisa. Iefelizmente este foi um dos problemas, pois descobrimos depois de tocarmos que duas pessoas morreram (durante o show do Guns N' Roses, realizado horas antes). Mas foi um show incrível e um dia incrível."
Sarajevo, Bosnia e Herzegovina, 14 de dezembro de 1994
"Foi literalmente no meio da zona de guerra durante um dos piores genocídios recentes. Era um lugar realmente perigoso (...) O show em si foi muito bom, a reação do público foi inacreditável, aquelas pessoas viviam literalmente numa guerra, e vieram ao show e se divertiram muito. Mas ainda havia uma guerra acontecendo por todos os lados(...) quando levantamos voo foi como no (filme) Apocalipse Now, havia um cara na parte de trás (do helicóptero) com uma metralhadora pronta pra disparar".
Struik, Holland, 20 de abril de 1996
"Foi como voltar ao começo, de certa forma. Acredito que as pessoas achavam que quando deixei o Iron Maiden (em 1993) eu tinha um plano. Mas não tinha! Fiz na coisa do momento, eu tinha uma conquista e decidi que precisava me mover para outro lado(...) Os primeiros shows solo foram bacanas, mas um pouco assustadores pois eu estava sozinha pela primeira vez e as pessoas me observavam ainda mais do que faziam antes".
Ed Hunter Tour, Saint John, Canada, 11 de julho de 1999
"A maioria das bandas não tem uma carreira tão duradoura, e nós tivemos duas!(...) Quando subi ao palco para aquele primeiro show (de retorno à banda), havia uma certeza na minha cabeça: o mundo precisa do Iron Maiden, e aqui estamos. Boom! E há este sentimento que podemos mover montanhas. Eu me senti muito mais confiante sobre quem eu era e como me apresentava, havia aprendido muito naquele período(...) Acho que a atmosfera entre nós estava simplesmente incrível. Acho que estes relacionamentos que retornam são muito melhores que nos anos oitenta. Naquela época estávamos na casa dos vinte e poucos anos e disputavamos nosso lugar cheio de força, vigor e adrenalina. Mas agora tudo está mais calmo(...) E quando voltamos a nos reunir em 1999 meio que nos tornamos uma família, no sentido que podemos olhar para o Maiden e dizer 'Na verdade, aqui está a nave-mãe. Todos somos filhos do Maiden. Não acho que era assim nos anos oitenta".
FONTE: Kerrang
https://www.kerrang.com/features/living-with-the-beast-iron-maidens-bruce-dickinson-on-the-shows-that-made-him-who-he-is/
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