Como nasceu a introdução de bateria da música "Painkiller", do Judas Priest
Por Igor Miranda
Postado em 18 de novembro de 2020
Scott Travis, definitivamente, não sentiu a pressão de entrar para o Judas Priest. Os primeiros segundos oficiais do baterista com a banda estão registrados no solo do instrumento que inicia a música "Painkiller", faixa de abertura do álbum de mesmo título, lançado em 1990.
O disco, aliás, marcou a estreia de Scott Travis com o Priest em grande estilo. A banda rompeu com a influência do hard rock oitentista no qual apostava nos trabalhos anteriores e mergulhou em uma sonoridade pesada, próxima do thrash/speed metal que também era popular naqueles tempos. Um prato cheio para o habilidoso Travis, ex-Racer X e The Scream, dar show no instrumento.
Ainda que o álbum "Painkiller" tenha outras boas músicas e Scott Travis tenha gravado todos os outros discos do Judas Priest a partir de então, seu trabalho ainda é muito lembrado por conta da introdução da faixa-título do álbum de 1990. Não à toa, a canção tornou-se um item indispensável para os shows do grupo.
Em entrevista ao podcast de Jeremy White, com transcrição do Ultimate Guitar, o vocalista Rob Halford contou como nasceu a icônica introdução de bateria de "Painkiller". O cantor disse que a passagem instrumental não foi criada de forma premeditada: rolou naturalmente.
"Aconteceu organicamente. Estávamos compondo todas as músicas para o álbum, concluímos essa etapa. Nossos discos até hoje são feitos por toda a banda, completa, e representam quem somos naquele período. A música 'Painkiller' acabou sendo a faixa-título. Às vezes, a faixa-título não precisa ser a que lidera o álbum, mas ela se impunha de forma tão potente", contou o vocalista, inicialmente.
Halford, então, destacou que a música "Painkiller", entre todas as outras faixas do álbum, era "a que tinha muito a dizer". "Nós precisávamos desse tipo de abertura extraordinária, da bateria em vez de uma voz gritando, ou guitarras estridentes. Quando nasceu, pensamos: 'vamos em frente'", afirmou.
O cantor reconhece que a introdução de "Painkiller" foi uma ótima forma de apresentar Scott Travis. "Sempre que a tocamos nos shows e Scott fica lá sozinho, no palco, fazendo aquela abertura, os fãs piram. Há um pouco da iconografia do metal ali. É uma declaração gloriosa", pontuou.
Aquecimento rendeu "Painkiller"
Em entrevista ao site Invisible Oranges, em setembro deste ano, Scott Travis contou que a introdução de "Painkiller" nasceu de um simples aquecimento em estúdio. A banda estava produzindo o álbum no Miraval Studios, em Nice, na França, e o baterista estava se preparando para um dia de gravações.
"Era um lugar legal, confortável para tocar o que quisesse. Eu sabia que faríamos a música 'Painkiller' e era para ser uma música rápida e animada. E eu estava apenas brincando um pouco ao fazer aquela introdução", afirmou.
Sem descrever exatamente a técnica utilizada, Travis destacou que o trecho mais marcante da introdução de "Painkiller" traz uma alternância específica entre notas tocadas com os pés e as mãos. "Tecnicamente, são quatro notas com os pés e uma com a mão. [...] Estava apenas tocando alguns exercícios e tinha a ideia de 'Painkiller' em mente, eles gostaram e me orientaram. Como baterista, sempre quis ter uma introdução musical marcante, poucos conseguem isso", disse.
Ouça, a seguir, a bateria isolada de Scott Travis em "Painkiller":
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