James LaBrie: como ele largou banda de hard rock para se juntar ao Dream Theater
Por Igor Miranda
Postado em 21 de maio de 2021
Em uma análise inicial, muitos podem pensar que James LaBrie não tem nada a ver com o Dream Theater. Deixando para trás sua banda de hard rock, o Winter Rose, o vocalista canadense entrou para o grupo americano de metal progressivo, em 1991, na vaga de Charlie Dominici, permanecendo até os dias de hoje.
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Por que LaBrie, um vocalista de background tão diferente de seus colegas de Dream Theater, topou entrar para a banda? Como foi realizada essa transição? E por que ele quis deixar o Winter Rose, que estava conquistando certa notoriedade na cena do Canadá?
Em entrevista ao canal de YouTube Breaking Absolutes, com transcrição via Ultimate Guitar, o próprio cantor relembrou toda a história que culminou na sua entrada para o Dream Theater.
Winter Rose
Inicialmente, James LaBrie destacou que o trabalho com o Winter Rose estava indo bem. A banda chegou a lançar um álbum, homônimo, em 1989, por meio da gravadora InsideOut Music - a mesma que assinou com o próprio Dream Theater décadas depois, em 2017.
"Estávamos em turnê com a Lee Aaron, chamada de 'rainha do metal' no Canadá. Em 1990, ela me pediu um CD com músicas só minhas. Ela gostou e perguntou se eu pensava em ter uma carreira solo, mas eu falei que não, pois o Winter Rose era a minha banda, junto de Rich Chycki (guitarrista e baixista). Estávamos sendo observados por gravadoras, como a Atlantic, mas sem que eu soubesse, ela entregou meu CD para Pierre Paradis, executivo da Aquarius Records", contou, inicialmente.
O vocalista revelou que, um dia, do nada, recebeu uma proposta de Pierre Paradis para gravar um álbum solo, compondo o material com Aldo Nova. "Eu falei que era ótimo, mas não estava interessado, pois estava com o Winter Rose e que a banda estava sendo observada por grandes gravadoras. Então, esse executivo levou esse meu CD para a MCA, em Nova York, e me disse que havia uma banda chamada Dream Theater que procurava por um vocalista", declarou.
Na época, o Dream Theater já não contava mais com seu vocalista original, Charlie Dominici, e tentava trabalhar com Steve Stone, que teve uma rápida passagem pela formação. As coisas não estavam dando certo com Stone, que chegou a gravar algumas demos (ouça uma delas abaixo), por isso, seguiam em busca de um cantor.
O interesse do Dream Theater
Foi Pierre Paradis quem, basicamente, cruzou os caminhos de James LaBrie e do Dream Theater. O executivo sentiu que o vocalista poderia se encaixar na banda, então, mostrou o material solo do cantor aos músicos.
"Mike (Portnoy, baterista), John (Petrucci, guitarrista) e Kevin Moore (tecladista) contam que estavam ensaiando, Mike tinha meu CD, daí foram para a van de Mike ouvi-lo. Era uma gravação ao vivo do Winter Rose no Rock N' Roll Heaven em Toronto. Eles entraram em contato comigo, fiz uma jam com eles, daí viajei para os Estados Unidos, fiquei na casa de Mike por uns dias, depois fiquei na casa de John Myung (baixista) por mais alguns dias", declarou LaBrie.
O primeiro ensaio com o vocalista contemplou músicas do álbum "When Dream and Day Unite" (1989), estreia do Dream Theater, ainda com Charlie Dominici. Depois, entrou um cover de "Lovin', Touchin', Squeezin', do Journey.
"Eles estavam tipo: 'meu Deus, isso é incrível'. E eu falei que tinha adorado. Eu estava tentando ver se havia química. Definitivamente, havia. No dia seguinte, eles perguntaram se poderíamos gravar juntos uma demo. Tínhamos as músicas 'Learning to Live', 'A Change of Seasons', 'Take the Time'... não lembro se fizemos 'Pull Me Under', mas era algo assim. Talvez fizemos 'Metropolis'", relembrou.
O material foi produzido rapidamente em um gravador 8-track de um amigo de John Myung, já que James LaBrie ficaria apenas 5 dias nos Estados Unidos. No penúltimo ou último dia dessa viagem, o vocalista foi convidado para se juntar à banda. O resto é história.
Fates Warning
Curiosamente, antes de se juntar ao Dream Theater, James LaBrie fez uma participação em um álbum do Fates Warning. O vocalista gravou backing vocals para a faixa "Life in Still Water", presente no disco "Parallels" (1991).
"Lembro de Mike Portnoy me ligar e falar sobre alguns amigos deles, do Fates Warning. Eu já conhecia a banda, embora não tivesse ouvido tanto. Ele falou: 'eles estão em Toronto, mas o vocalista deles já voltou para casa e eles precisam fazer backing vocals, perguntaram se você poderia ir'", relembrou James.
A experiência foi interessante para o vocalista, pois ele pôde trabalhar com o lendário produtor Terry Brown, famoso pelos álbuns com o Rush nas décadas de 1970 e 1980 e responsável por mixar "Parallels". "Acho que topei só para poder conhecer Terry Brown (risos)", comentou.
A entrevista ao Breaking Absolutes pode ser conferida na íntegra, em inglês e sem legendas, no player a seguir.
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