Por que Iron Maiden ainda vende mais que ídolos juvenis, segundo jornal espanhol
Por Igor Miranda
Postado em 28 de setembro de 2021
Com mais de quatro décadas em atividade, o Iron Maiden segue como um fenômeno de popularidade. Seu álbum mais recente, "Senjutsu", que chegou ao topo das paradas de vários países - primeira posição em Espanha, Alemanha, Bélgica, Itália, Portugal e outros; segunda na Inglaterra e terceira nos Estados Unidos -, reflete muito bem a fama do grupo.
Uma reportagem do jornal El País buscou explicar sobre como o Iron Maiden segue popular e, nas paradas de álbuns, disputando espaço até mesmo com artistas mais jovens, como Drake, Kanye West, Olivia Rodrigo e Billie Eilish. O texto, assinado por David Saavedra, apresenta entrevistas de personalidades que colaboram com a reflexão e traz dados curiosos - um deles é que "até hoje, pode-se dizer que somente os Beatles, os Rolling Stones e o Queen superam o Maiden em números de vendas dentro do rock britânico".
Um dos entrevistados é Joe Pérez-Orive, chefe de marketing na Espanha da produtora global Live Nation. O executivo afirma que "existem no máximo (sendo generoso) 20 artistas no mundo que podem lotar" um lugar como o Estádio Olímpico de Barcelona, que receberá o Iron Maiden em 2022.
Por sua vez, o jornalista Tito Lesende, ao ser perguntado sobre o que faz o Maiden se manter em um nível tão elevado, declarou: "Eles apostaram em ser conservadores e fizeram muito bem. [...] Souberam administrar seu patrimônio. Para eles, foi suficiente oferecer discos com uma qualidade mais do que aceitável, dosificar seus lançamentos e se fortalecer nas turnês, onde exploram sua própria legenda. Os anos foram passando, e eles aguentaram com dignidade, do punk e dos subúrbios de Londres até ver suas camisetas à venda nas lojas da Inditex. A iconografia do Iron Maiden é cultura pop há muitos anos. Mesmo quando a banda descansa, sua imagem está em todas as partes".
Ainda em sua reflexão, Lesende aponta que muitas das referências do rock, um gênero musical considerado clássico, "se projetaram no tempo como parques temáticos de si mesmos". "É isso que são os Rolling Stones, o AC/DC e o Iron Maiden desde o final dos anos 80, quando os espetáculos de rock começaram a se transformar em experiências sociais. Em contraste com os outros grupos que mencionei, o Iron Maiden concentrou sua pegada gráfica na criação de fantasia: o monstro Eddie", disse.
O "apelo" e as "capacidades de marketing" de Eddie, segundo o jornalista, permitem que o personagem vá "ao espaço, ao Egito ou, como agora, ao Japão". "Cada um de seus lançamentos tem caráter próprio e se transforma numa espécie de objeto de coleção. É um grupo de rock, sem dúvida, mas também um produto comercial como Star Wars, Cirque du Soleil e Harry Potter", comparou.
A compreensão global do potencial do Iron Maiden é, de fato, importante ao explicar a popularidade do Maiden, de acordo com Joe Pérez-Orive. Como a banda se apresentou ainda em seu auge em territórios como União Soviética (antes do fim dela) e América Latina, a fama se expandiu para locais fora do eixo Europa-América do Norte. "Ter uma visão global é fundamental para um artista. Encontrar seus mercados e concentrar esforços neles é decisivo para seus resultados financeiros e o engajamento com os fãs", explicou.
A reportagem completa, com outras explicações a respeito da grandiosidade do Iron Maiden - desde a identidade do baixista e compositor Steve Harris até o fator nostalgia - pode ser lida no site do El País.
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