A primeira vinda do Kiss ao Brasil, em 1983, segundo quem estava lá
Por André Garcia
Postado em 31 de agosto de 2022
O Kiss foi formado em 1973 por Gene Simmons e Paul Stanley, e fez sucesso internacional com "Alive!" (1975) e "Destroyer" (1976). No começo dos anos 80, no entanto, o mundo da música tinha mudado, e, após uma sequência de álbuns que desagradaram aos fãs por ter deixado o rock de lado, a banda viu sua popularidade minguar.
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Detonado pela crítica e fracasso de vendas, "Music From The Elder" (1981) nem sequer teve uma turnê. Com um retorno ao rock pesado, "Creatures of the Night" foi recebido com shows esvaziados e sem muita empolgação nos Estados Unidos e na Europa. Restou à banda partir para territórios ainda não explorados — como o Brasil.
"I Love it Loud" estava sendo bem tocada pelas rádios brasileiras em junho de 1983, quando o Kiss desembarcou por aqui. Shows de grandes bandas no Brasil ainda era algo raro, mas Queen em 1981 e Van Halen também em 1983 já anunciavam os novos tempos, que chegariam dois anos depois com o Rock in Rio.
Entretanto, ao contrário do Queen e do Van Halen, o Kiss chegou ao Brasil com metade da formação diferente da que os fãs conheciam: Eric Carr entrou no lugar de Peter Criss em 1980 e Vinnie Vincent substituiu Ace Frehley dois anos depois. Fato esse que na época nem todos tinham conhecimento.
O produtor musical Flávio Rios [www.instagram.com/flavio.rios_amplistudio], de Niterói, estava presente no show do Maracanã, e relembrou que foi uma decepção as mudanças na formação: "Ace [Frehley] era esperado por todos, havia essa expectativa de vê-lo tocar. Então saber que ele não viria, foi como se tivessem jogado nos fãs um balde de água fria. Foi uma grande frustração. Até porque a saída do Peter já tinha sido um choque, uma grande tristeza!"
"Quanto ao Vinnie, ninguém sabia quem era, se era bom ou não... nada a respeito. No entanto, foi uma grata surpresa, pois o cara tocava muito, era muito técnico, e eu pude constatar isso bem de perto do palco."
Naqueles tempos, anos antes do surgimento da internet, o acesso à informação era precário. Tudo dependia basicamente das boas e velhas revistas de rock, que ainda eram poucas naquele tempo. "Não tínhamos informações de nada a respeito das bandas lá de fora", contou o produtor.
"Para descobrir se alguma banda havia lançado um álbum, era necessário visitar as livrarias que vendiam revistas importadas. Aí sim você descobria muita coisa. Foi por acaso numa dessas revistas que descobri, em uma manchete com a foto do Kiss, a saída do Peter Criss. Mas ela não dizia ainda quem seria o substituto. Que tristeza para os fãs!"
"Só descobrimos o nome de Eric Carr após o lançamento de 'Creatures of the Night'. Já Vinnie, só fui ver uma foto dele com a banda no ingresso do show no Brasil, e uma reportagem no jornal O Globo."
Sobre o show em si, Flávio destacou os impressionantes efeitos especiais. Afinal de contas, a banda trouxe consigo todo seu aparato de palco, inclusive a plataforma giratória em forma de tanque de guerra, onde ficava a bateria.
"A bateria girava e se movia com o tanque durante o incrível solo do Eric. Com efeitos de explosões [simulando disparos], ao mirar no público, as pessoas chegavam a se abaixar temendo serem atingidas [risos]!"
Em setembro, a banda já estava de volta aos Estados Unidos para lançar seu novo álbum, "Lick it Up" (1983). Assim, no dia 18 os membros do Kiss finalmente revelaram seus rostos na MTV. A estratégia visava aumentar as vendas e o público de seus shows — e funcionou. Com aquilo, por anos os fãs brasileiros se gabaram de terem sido os últimos (ou um dos últimos) a verem o Kiss mascarado.
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