A inesperada proposta de show que Blitz considerou ofensiva, segundo Fernanda Abreu
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de agosto de 2022
Em 1982, a Blitz abriu as portas do rock nacional com o disco "As Aventuras da Blitz 1" e a vocalista Fernanda Abreu fazia o backing vocal. Em entrevista ao canal Corredor 5, a cantora comentou como foi esse início da banda e trouxe curiosidades.

O convite para a Blitz
"A Blitz foi um negócio muito incrível. A banda falava para a juventude. Em 1982, quando montaram a arena do Circo Voador, no Rio, foi algo muito importante para a cultura carioca e brasileira. Eu tinha acabado de voltar da Bahia em 1981. Conheci o Léo Jaime em uma aula de balé e ele me chamou para cantar na banda dele. Fizemos um show em Botafogo e a Márcia Bulcão, minha dupla na Blitz, era minha amiga. Ela namorou meu irmão e nós aguardávamos o ônibus juntos. Ela conhecia o Ricardo Barreto, que era o primeiro guitarrista da Blitz. Antes, a Blitz só tinha homens e fiquei sabendo que eles queriam ter mulheres agora. Então, a Márcia pediu para eu fazer dupla com ela".
A relação com Evandro Mesquita
"Conheci o Evandro Mesquita e o Barreto, principais compositores, no primeiro ensaio lá no Jardim Botânico. Quando ouvi ‘Você Não Soube Me Amar’ pela primeira vez, pirei! Aquele começo... Que genial! Comecei a ouvir as outras músicas e o mundo do Evandro, que é super teatral. Eram músicas incríveis, fiquei chocada! Naquela época, o Evandro estava no vai ou racha. Ele estava batalhando na Blitz por 1 ano e achava que seriam os últimos shows. Então, tocamos no Circo Voador e lá estava o Mariozinho Rocha da Odeon e um cara da Rádio Cidade. Todos eles piraram e o Mariozinho chamou para gravar um compacto. Eles compraram a ideia".
O sucesso e abertura de portas para o rock nacional
"Vendemos 1 milhão de compactos e depois fizemos o LP. Nessa época, o Lobão decidiu sair. Naquele momento, não tinha ideia que era algo especial. Foi um susto. Achei que seria mais um show só para o bairro. Todos estavam começando. Tínhamos 19 anos e curtindo um verão. Todo dia tinha alguma coisa legal no Circo Voador. Com o estouro da Blitz, as gravadoras sacaram que tinha muita banda legal fazendo música na garagem, como Legião, Paralamas, Capital, Plebe Rude... Muita gente! Era uma geração inteira, estávamos na ditadura quando adolescentes. No começo dos anos 1980, já estava melhor. Pegamos censura até".
A proposta do Canecão que a banda quase recusou
"A Blitz ficou essa história de ser carioca, alegre e para cima. Lembro que teve uma discussão até porque o Mario Priolli, do Canecão, queria que a gente fizesse uma matinê. Mas a gente ficou tipo: ‘Matinê? De jeito nenhum, somos uma banda adulta!’. Depois, acabamos fazendo e era uma loucura! Virava o quarteirão, ia o pai, mãe, avó... Começou a ficar um negócio muito grande. Só show em estádio de futebol. No aeroporto, milhares de pessoas esperando".
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