Quando o sogro de Ozzy Osbourne salvou o Queen e abriu caminho para "Bohemian Rhapsody"
Por Bruce William
Postado em 01 de dezembro de 2023
Durante entrevista com a Celebrity Access em 2019, Sharon Osbourne foi questionada sobre uma passagem de sua biografia oficial, "Sharon Osbourne Extreme: My Autobiography", onde ela relata que gerenciou bandas como Smashing Pumpkins, Coal Chamber, Queen, Motorhead, Lita Ford e Electric Light Orchestra.
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"Quando você gerenciou o Queen?", perguntou o entrevistador, Larry LeBlanc. Sharon respondeu: "Freddie Mercury e sua namorada, Mary Austin, eram grandes amigos meus, e Freddie odiava o empresário deles", se referindo a Norman Sheffield, da Trident Recording, Publishing and Management. "Então eles me perguntaram se nós consideraríamos assumir a banda. Eu topei e fui falar com meu pai e todos ficaram radiantes. E foi assim. Eles vieram para nós. Naquele ano, provavelmente em '74 ou '75, tivemos uma festa de Natal e convidei John Reid, que era outro amigo meu. E Freddie e John Reid se conheceram, e o resto é história".
Don Arden, pai da Sharon, relatou a história sob o ponto de vista dele sobre o ocorrido em uma matéria antiga publicada pela Classic Rock. Tudo começa quando, em meados dos anos setenta, o Queen enfrentava uma situação delicada. Apesar de sua popularidade no Reino Unido e do crescente sucesso na Europa com o álbum "Killer Queen", além dos primeiros indícios de reconhecimento nos Estados Unidos com os singles "Killer Queen" e "Sheer Heart Attack" atingindo a 12ª posição em suas respectivas paradas, eles ainda eram basicamente trabalhadores assalariados, que moravam em residências alugadas, passavam as noites em clubes sabendo que teriam que ralar no dia seguinte para pagar as contas.
O baterista Roger Taylor recordou mais tarde o retorno da banda após dois shows lotados no Budokan, em Tóquio, na primavera de 1975, mencionando que, apesar do sucesso, ainda ganhavam modestas sessenta libras por semana. Enquanto isso, John Deacon, já casado, precisava implorar por duas mil libras como depósito para alugar uma casa, contrastando com a ostentação dos irmãos Sheffield, que gerenciavam o Queen e desfilavam em luxuosos Rolls-Royces.
Diante dessa situação, a banda buscou a intervenção de Don Arden, uma figura temida na cena musical de Londres nos anos 1970. Arden, pai de Sharon Osbourne, descreveu como foi abordado pelo Queen: "Eles estavam no topo mas não tinham um tostão furado, sequer tinham carro. Freddie e o resto dos caras da banda eram amigos de Sharon e então me pediram um conselho. Eu falei pra eles irem lá e mandarem os irmãos se foder! Mas eles me disseram que não fariam isso pois temiam os Sheffield - que haviam feito o grupo acreditar que eles eram valentões de rua em Soho. Bem, vamos pagar pra ver".
O contrato da banda com a EMI estava vinculado à produtora dos irmãos Sheffield, que detinham controle não apenas do contrato de gestão, mas também dos contratos de gravação e publicação de músicas da banda, e com isto, conforme disse Don, eles mal tinham um teto sobre as cabeças e uma van velha para viajar quando estavam em turnê. "Não conseguia acreditar naquilo, era como se nunca tivessem vendido um único disco", contou Don, que pediu para o advogado confirmar a intenção da banda de ser empresariada por ele e disse que no dia seguinte iria fazer uma visitinha para os irmãos.
Don então relata como tudo aconteceu: "Na verdade, nem me dei ao trabalho de agendar uma consulta; simplesmente apareci. Eu tinha certeza que os irmãos Sheffield eram farsantes, então adentrei o escritório deles e me apresentei, o que fez eles se assustarem. Começaram a falar rapidamente, tagarelando sobre compras com esposas e aquisição de joias. Eu estava começando a ficar irritado, então olhei para o relógio e interrompi as formalidades. 'Vamos deixar de formalidades. Me ouçam com atenção. Não estou aqui para falar sobre suas malditas esposas, mas sim para informar que vocês não representam mais o Queen. Acabou, okay? É o fim,' Eles trocaram olhares entre si. Embora tivessem intimidado o Queen, coragem para enfrentar Don Arden, eles não possuíam. Não, não o fizeram".
"Eles sequer me olhavam nos olhos", prossegue Don. "Tinham receio do que viria a seguir. Eu poderia ter tomado medidas mais drásticas? Talvez, mas não adotei uma abordagem hostil, não era necessário. Apenas disse para eles o quão estúpidos eles foram, na verdade dei uma lição para eles: 'Se ao menos tivessem providenciado um carro para todos da banda e colocado algum dinheiro no bolso dos músicos, não teríamos chegado a esse ponto. Por que não fizeram isso antes de tentar prejudicá-los? Bem, agora é tarde. A banda se foi'. A vergonha os dominou, e baixaram a cabeça".
Mas Don não deixou os irmãos sem nada: "Propus que, se concordassem em se retirar imediatamente, receberiam um cheque de cem mil libras como compensação e não precisariam mais lidar comigo. Salientei que, se não aceitassem, a banda ainda seguiria seu caminho, mas os irmãos Sheffield não receberiam nenhum pagamento e teriam que enfrentar as consequências. Com sensatez, optaram pelo dinheiro".
Caso resolvido, e Don seguiu com o Queen? Não. Ele explica: "Quando retornei ao escritório e compartilhei a notícia com eles, fui recebido com muito alegria, me abraçavam e beijavam me agradecendo. No entanto, assim que colocaram a mão no dinheiro, nunca mais ouvi falar deles. Sharon me explicou mais tarde que eles decidiram seguir com John Reid, que era empresário de Elton John. Reid era gay e Freddie sentia mais segurança com ele". Reid foi quem convenceu a banda a investir em uma música que era a menos comercial que eles tinham em mãos, mas que definiria o futuro do Queen: tratava-se de nada menos que "Bohemian Rhapsody", a canção que mudaria para sempre a história da banda.
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