O detalhe que Tom Araya sugeriu na capa de álbum do Slayer feita por brasileiro
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de janeiro de 2024
Marcelo Vasco é brasileiro e foi o responsável pela criação da arte da capa do álbum "Repentless", do Slayer. Em entrevista a Gustavo Maiato, ele contou mais detalhes sobre como foi essa experiência.
Como iniciou a parceria com o Slayer? No caso da capa de "Repentless", houve alguma orientação por parte da banda? Alguma história curiosa envolvendo esse processo criativo?
A parceria rolou por causa da Nuclear Blast. Eu já fazia muitos trabalhos para a gravadora. Falei com o presidente da Nuclear nos EUA, que é meu amigo, e disse que eu era fascinado pela banda. É minha banda favorita e se eu tivesse qualquer chance de mostrar meu trabalho para ele, pedi para me falar. Ele disse que ia me manter informado. Passaram uns meses, ele me escreveu e disse para eu mostrar serviço. Ele me passou o título do álbum: ‘Repentless’. Me passou algumas letras e conceitos. Ele, como eu, queria tentar resgatar algumas coisas oldschool da banda, conceitos das capas do Larry Carroll, que são maravilhosas. Uma mistura do ‘Reign in Blood’ com ‘South of Heaven’. Foi esse o ponto de partida para começar o trabalho. Comecei a trabalhar em quatro ou cinco rascunhos.
Mandei eles para a banda. Eu só tinha contato com a Nuclear por enquanto. A banda gostou de um dos caminhos, comecei a fazer variações até que passei a falar direto com eles. A Nuclear tem o time gráfico e na real o contato é mais por e-mail. Na cópia tem todo mundo, empresários, banda etc. Todos acompanham o processo. Quem deu mais pitaco passou a ser a banda depois. Depois de estar bem avançada, trabalhamos apenas um detalhe ou outro. Um detalhe que não tinha e acabou entrando foi uma ideia do Tom Araya: colocar aquele símbolo do pentagrama deles atrás da imagem do cristo pegando fogo, como se fosse uma aureola de anjo, daquelas pinturas antigas renascentistas. Como se fosse um prato atrás da cabeça. Até hoje não acredito que fiz um trabalho para o Slayer! [risos].
Qual foi o trabalho que você mais se orgulhou de ter feito e por quê?
O que mais me orgulho é o Slayer. O ‘Repentless’. É minha banda favorita. Sou fanático e sempre foi um sonho trabalhar para eles. As pessoas me perguntavam qual banda gostaria de trabalhar. Sempre falava do Slayer. Nada está além. Era um sonho que não achava viável, porque eles sempre tiveram as capas feitas pelo Larry Carroll. Achava que nunca iam sair desse nicho. Até que rolou! Esse trabalho fez meu nome ir para um patamar de artista gráfico no mundo que nunca imaginei conquistar. Sinto orgulho de ter trabalhado com o Soulfly, do Max Cavalera. Eu amo muito o Sepultura também, foram minha escola.
Alguma capa dessas mais famosas que você já realizou você enfrentou algum tipo de bloqueio criativo? Poderia contar alguma história de algum trabalho que foi mais desafiador nesse sentido?
Não me lembro de nada nesse sentido, mas no caso do Slayer, me coloquei uma pressão alta por ser fã. Eu tinha medo de ficar decepcionado comigo mesmo. Foi um período de muito trabalho. Tinha que estar perfeito para todos os fãs, como eu, admirassem. A banda e a gravadora tinham que gostar. Demorou alguns meses para finalizar. Eu precisava conseguir o trabalho e fazer dar tudo certo.
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