Festivais de música são cancelados no Reino Unido; promotores veem risco a eventos futuros
Por Fabiano Cruz
Postado em 26 de fevereiro de 2024
Promotores de eventos no Reino Unido estão preocupados com a viabilidade das suas iniciativas depois que nove festivais da tradicional temporada de verão foram cancelados naquele país, uma das grandes referências quando falamos de música na Europa e também no mundo.

Uma reportagem do jornal The Guardian traz essa discussão ao ouvir promotores de festivais que são espécies de "rituais de passagem" para festivais maiores. Esses eventos trazem grandes nomes em ascensão e mesmo bandas estabelecidas no cenário musical, e enfrentam custos cada vez mais altos na cadeia de produção.
Segundo o jornal britânico, o CEO da Associação de Festivais Independentes (AIF), John Rostron, apela até mesmo à intervenção do governo para ajudar os eventos que, segundo ele, foram atingidos pelas dívidas contraídas durante a pandemia de covid e pelo aumento dos custos para as empresas e população em geral.
O diretor da AIF afirma que, no ano passado, 36 festivais deixaram de existir ou foram adiados no Reino Unido. Esse número soma-se a outros 100 eventos que desapareceram desde 2019, quando havia 600 festivais de música no país.
"Já se passaram três ou quatro anos de perda de dinheiro e dívidas", disse Rostron. "Alguns [eventos] estavam desmoronando no ano passado; este ano estamos apenas em fevereiro e os festivais estão caindo. Eles não conseguem nem chegar ao verão."
No mundo do metal, as equipes responsáveis por festivais como Dominion e ManorFest foram forçadas a cancelar seus eventos. Nomes como Blind Guardian, Moonspell, Overkill e My Dying Bride faziam parte do line-up dos eventos.
Para Ella Nosworthy, que dirige o festival Nozstock, em Herefordshire, a crise gera um impacto de longo prazo na cultura britânica. Diz ela ao The Guardian: "a posição do Reino Unido como líder na música ao vivo está em jogo". "Parece dramático dizer isso, mas é isso que acontece se esses festivais e eventos menores não forem protegidos."
Ainda segundo a dona do festival Nozstock, o custo de realização do seu evento aumentou 40% desde a pandemia. Os aumentos vão desde o cachê dos artistas até a montagem dos palcos. Foram vários anos sem lucro, o que torna inviável a existência da empresa.
Segundo a matéria do The Guardian, outros festivais que não serão realizados no verão europeu incluem Standon Calling, Bluedot e o festival de patinação/música NASS.
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