A música do Megadeth que fala sobre tema delicado e fez Marty Friedman picar a mula
Por Mateus Ribeiro
Postado em 20 de março de 2024
Lançado em agosto de 1999, "Risk" é o oitavo disco de estúdio da banda de Thrash Metal Megadeth. Sucessor de "Cryptic Writings" e muito mais acessível que seus antecessores, "Risk" não costuma ser lembrado com muito carinho pelos fãs radicais do grupo liderado por Dave Mustaine.
Embora não seja (nem de longe) um dos trabalhos mais marcantes da história do Megadeth, o controverso "Risk" tem faixas interessantes, como "Prince Of Darkness", "I'll Be There" e "Breadline". A última das músicas citada é uma balada cuja triste letra conta a história de alguém que perdeu o emprego e foi morar nas ruas.
"Breadline" é um dos melhores momentos de "Risk" e mostra um lado mais leve do Megadeth, que já vinha sendo explorado desde "Youthanasia" (álbum lançado em 1994). Porém, a música em questão aparentemente não caiu no gosto dos fãs da banda e foi tocada poucas vezes pela banda. Segundo dados publicados no site Setlist Fm, "Breadline" foi tocada 48 vezes, entre outubro de 1999 e outubro de 2001.
Além de ter sido excluída dos shows do Megadeth, "Breadline" carrega outra marca pouco louvável: foi por conta de seu solo de guitarra que Marty Friedman começou a planejar a sua saída da banda.

"Na época, essa era a minha música favorita do álbum. Eu também fiz meu solo favorito do álbum nessa música, mas ele foi substituído por Dave [Mustaine] sem meu conhecimento. Cheguei em Nashville todo animado para ouvir as mixagens e, quando ‘Breadline’ apareceu, fiquei especialmente empolgado. O solo veio e minha boca caiu no chão. Onde diabos estava meu solo???? Fiquei furioso porque ninguém havia me dito nada até que a música já estivesse mixada", relatou Friedman, em artigo publicado no seu site oficial.
"Acontece que nossos gerentes não gostaram do solo que eu fiz, disseram que era ‘muito alegre e melódico’. Bem, era uma música ‘alegre e melódica’! De qualquer forma, se eles precisassem refazer o solo, poderiam ter me dito, e eu teria ficado feliz em voltar para Nashville e gravar de novo. Essa falta de consideração certamente plantou a semente para que eu quisesse sair da banda. Era como se, se eles não precisassem da minha guitarra, eu certamente não precisaria estar lá. Não era como se eu fosse Ace Frehley, drogado demais para tocar e não aparecendo no estúdio para gravar. Fiz um ótimo solo e teria ficado feliz em substituí-lo por um que deixasse todos satisfeitos, mas não houve ligação, não houve nada, até que eu estivesse na sala de controle ouvindo as mixagens finais", complementou Friedman, que deixou o Megadeth no início de 2000, após cerca de uma década como integrante do quarteto.
Vinte e três anos depois de sair do Megadeth, Marty Friedman participou de uma apresentação que a banda realizou no Japão. Leia mais na nota abaixo.
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