O erro que Erasmo Carlos cometeu, mas que Roberto Carlos driblou pra se tornar maior do Brasil
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de junho de 2024
Em mais um vídeo no seu canal no YouTube, o jornalista André Barcinski fez uma análise da carreira de Erasmo Carlos e comparou com a de Roberto Carlos. Enquanto o primeiro não entendeu que a Jovem Guarda tinha prazo de validade, o segundo se adaptou e mudou seu som.
"Hoje vou falar sobre um tema que me satisfaz bastante: a obra de Erasmo Carlos. Sou um grande fã do Tremendão e vou falar sobre uma série de relançamentos de discos importantes da carreira dele.Vamos falar sobre um período muito interessante da carreira de Erasmo Carlos, quando ele sai da Jovem Guarda.
Para lembrar a galera, a Jovem Guarda foi um movimento musical centrado em um programa de TV da Record em São Paulo, que durou de 1965 a 1968 e foi uma explosão do pop rock no Brasil. Artistas como Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo Carlos e Jerry Adriani participavam desse programa, cantando músicas influenciadas pelos Beatles e pelo pop italiano, que foram um grande sucesso.
A Jovem Guarda não foi o primeiro movimento jovem de música no Brasil, já que nos anos 50 houve um movimento de rock no Rio e em São Paulo. Porém, foi certamente o mais importante até então. A Jovem Guarda tinha limitações sonoras e estéticas, com músicas muito parecidas e sem grandes inovações. Na minha opinião, o único que entendeu que aquele movimento tinha prazo de validade foi Roberto Carlos, que fez a transição para uma pegada mais romântica no final dos anos 60, tornando-se o maior astro pop do Brasil.
Erasmo Carlos, por outro lado, não soube fazer essa transição. Seu filho, Léo Esteves, que liderou o acervo do pai e fez muitos projetos bacanas nos últimos 30 anos, comentou que Erasmo era muito ingênuo e não tinha um plano para sua carreira. Quando a Jovem Guarda estava em declínio, muitos artistas foram criticados pela mídia e por outros músicos por fazerem música considerada comercial e escapista. No entanto, Erasmo tinha outros interesses, como samba e rock psicodélico, e começou a mudar seu som na segunda metade dos anos 60.
Erasmo gravava seus discos pela RGE, uma gravadora importante na época, que depois foi vendida para a Som Livre, fundada por João Araújo, pai de Cazuza. A Som Livre, que começou lançando trilhas de novelas da Globo, comprou a RGE, e hoje pertence à Sony Music. Erasmo lançou seis LPs pela RGE, que estão sendo relançados em versões remasterizadas no YouTube. Esses discos, de 1965 a 1969, mostram Erasmo tentando se libertar das amarras sonoras da Jovem Guarda.
O primeiro disco, "A Pescaria" (1965), ainda é um pouco ingênuo, mas termina em 1969 com "Erasmo Carlos e Os Tremendões", considerado por ele o mais importante da carreira. Esse disco simboliza a mudança de São Paulo para o Rio, onde Erasmo começou a se relacionar com músicos da Tropicália e se libertou das amarras sonoras da Jovem Guarda.
"Erasmo Carlos e Os Tremendões" já é um disco bem diferente dos anteriores, com músicas como "Sentado à Beira do Caminho" e "Coqueiro Verde". Após esse disco, Erasmo assinou com a Philips, lançando "Carlos, Erasmo" (1971), considerado uma obra-prima do pop brasileiro, que mistura psicodelia, samba rock e influências de música brasileira".

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