Com argumentos, Bruno Sutter explica porque o Funk carioca é o Heavy Metal dos dias de hoje
Por Bruce William
Postado em 06 de dezembro de 2024
Durante a "Live dos Rock Stars" realizada no RedCast, apresentado por Júnior Masters, e que reuniu o baterista Ricardo Confessori (Angra), Bruno Sutter (Massacration), Rasta (Brasil Paralelo) e Sérgio Sacani (o Serjão dos foguetes), o assunto acabou enveredou para o "fim do rock", até que Sutter diz: "O rock é tipo o zumbi, é o Jason cara, o pessoal mata ele, mas ele sempre volta, sacou?".
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Neste ponto, Rasta manda de volta que o rock volta de uma maneira que o roqueiro não reconhece, e que aquela coisa de contestação, de chocar mesmo, hoje acontece no funk carioca, com letras que, na visão dele, possuem uma atitude rock'n'roll de alguém que é doidão, algo que antigamente era atribuído aos roqueiros.
Rasta comenta ainda que foi a um show do Alice in Chains, banda que quando ele começou a ouvir era adorada pelos jovens, mas que se assustou ao perceber como só tem pessoas mais velhas na plateia. Bruno então comenta: "O show do Iron Maiden nos Estados Unidos... cara, é só cabeça branca. Quando não é cabeça branca, é cabeça careca. Eu fui ver um show em Nova Iorque num negócio de videogame que fui participar e fiquei chocado cara, porque ali eu vi o primeiro alerta de que o Heavy Metal tá velho. Porque aqui no Brasil ainda não, vai a molecada ainda. Mas lá fora, nos Estados Unidos principalmente, o Heavy Metal tradicional tipo o do Iron Maiden só vão os coroas, e não renovou o público."
Rasta comenta que os jovens até vão a shows de Metal, mas de bandas como Gojira e Mastodon, que são outros estilos de Metal que se surgissem em uma época do passado seriam considerados "False Metal". E Ricardo Confessori então faz um adendo: "O fã também mudou, porque antigamente era o cara festeiro que gostava de balada e tal. Agora o cara virou um nerd, quietinho, com a namorada dele. Antigamente o cara ia lá para arranjar mulher também, se meter numas confusão. Agora o cara vai lá, já vai com a namorada, ele é quietinho, ele é nerd, ele não bebe, não quer saber de confusão entendeu, ele virou um cara certinho, vamos dizer assim."
Mais adiante, Confessori diz: "Você vê o cara hoje, um fã. Fã não, um ouvinte. Você é moleque e vai ver que estilo vai acabar curtindo durante a vida. Se você gosta de festa você não vai querer ouvir Heavy Metal, porque você vai numa balada, vai num show e não vai ter quase mulher, as que tiver vai estar com os namorado, não vai ter bagunça, não vai ter álcool, não vai ter droga, daí o cara fala assim...", emendando com palavras que ficaram soterradas no áudio, mas que dá pra entender que seriam de desânimo.
Então Bruno diz que é daí que vem o que ele chama de "teoria nefasta": "o que é o Metal hoje em dia? Se você for ver pelo público e pelas atitudes de antigamente, o Metal de hoje em dia, é o Funk". O pessoal da mesa concorda, e Bruno emenda: "O Metal de hoje em dia em termos de 'Ah, vou ser muito louco, vou tacar o terror'. E o Metal em si de uma certa forma, envelheceu, o Metal envelheceu, e a atitude dos jovens que gostam de Metal são atitudes de pessoas mais velhas, que são mais de boa."
O trecho acima acontece a partir dos 40 minutos de vídeo.
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