Como Lewis Carroll fez Paul McCartney se libertar de crença que alavancou Beatles de vez
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de janeiro de 2025
Paul McCartney revelou, em seu livro "As Letras" (editora Belas Letras), como as obras do escrito britânico Lewis Carroll influenciaram diretamente sua abordagem criativa nos Beatles, abrindo caminhos para um estilo mais experimental e poético. Segundo ele, as histórias do autor de "Alice no País das Maravilhas" serviram de inspiração para que as canções pudessem ser mais livres e menos lineares.
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"Podemos adentrar num mundo surrealista, onde as histórias não fossem exatamente lineares e as canções não precisassem necessariamente fazer sentido", afirmou McCartney. Ele destacou que seu fascínio por Carroll começou na infância, com leituras em casa e na escola. Esse contato inicial foi crucial para a criação de letras repletas de trocadilhos e jogos de palavras, uma característica marcante em músicas como "Lady Madonna" e "Penny Lane".
McCartney explicou como essa abordagem mais ousada ajudou o grupo a se conectar ainda mais com os fãs: "Foi então que nos deparamos com esta incrível revelação: podíamos ser poéticos sem perder o contato com nossos fãs! Até podemos dizer que aconteceu exatamente o contrário. Ou seja, à medida que fomos nos tornando mais experimentais e enveredamos mais para o fluxo de consciência, a nossa base de fãs aumentou".
A poesia de "Penny Lane"
Lançada em 1967 como single, "Penny Lane" é um exemplo do surrealismo lírico que McCartney descreve. A música, com cenas aparentemente cotidianas de Liverpool, mistura elementos ambíguos e surreais, como o contraste entre um dia ensolarado e a iminência de chuva, ou o inverno que se aproxima em pleno verão.
A canção, repleta de memórias da infância dos Beatles, reflete o estilo "caleidoscópico" que McCartney menciona. A influência de Carroll é visível na maneira como as imagens e os trocadilhos se conectam, dando à música uma sensação onírica e ao mesmo tempo nostálgica.
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