Mike Portnoy tem consciência de que magoou colegas ao sair do Dream Theater
Por João Renato Alves
Postado em 17 de abril de 2025
Em setembro de 2010, após 25 anos, Mike Portnoy deixou o Dream Theater. Alegando esgotamento e a necessidade de se expressar em outros formatos musicais, o baterista partiu para diferentes aventuras artísticas. Porém, a situação deixou mágoas dentro da banda que ele havia ajudado a formar nos anos 1980.
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Em entrevista à rádio canadense CBC Radio One, via Blabbermouth, o instrumentista revelou o que precisou fazer para gerar a reaproximação que culminou em seu retorno ao grupo, sacramentado no final de 2023. Ele disse:
"Bem, o primeiro passo foi consertar os relacionamentos pessoais com os outros quatro caras da banda, porque sei que os magoei quando os deixei e sempre me senti muito mal por isso. Tomei uma decisão que foi essencialmente muito egoísta ao sair. Tínhamos acabado de tocar no Madison Square Garden com o Iron Maiden. Era como se tudo estivesse a todo vapor naquele momento. Mas teria me arrependido se não tivesse saído. Adoro aquela expressão: ‘É melhor se arrepender de algo que você fez do que de algo que você não fez’, e era mais ou menos onde eu estava. Se não seguisse meu coração e tentasse outras coisas, viveria me perguntando para sempre o que poderia ter acontecido. Então, eu precisava fazer isso.
Mas, respondendo à sua pergunta, precisava consertar os relacionamentos pessoais com todos e me redimir por possivelmente tê-los magoado. Aconteceu lentamente. Primeiro, John Petrucci e eu começamos a sair socialmente. Nossas famílias são amigas. Nossas esposas tocam juntas em uma banda. Nossos filhos são amigos. Então, começamos a nos reunir nos feriados e a fazer coisas com nossas famílias. Depois, Jordan Rudess e eu nos reunimos. John Myung mora literalmente no fim do quarteirão onde moro, na Pensilvânia. Então, os relacionamentos pessoais precisavam ser refeitos.
E a peça final desse quebra-cabeça foi James LaBrie, com quem não conversava há mais de uma década e guardava rancor de mim. Tentei me redimir muitas vezes, mas ele simplesmente não estava pronto. No final de 2022, fui assistir ao Dream Theater em Nova York e pude ver James pessoalmente pela primeira vez. Em um minuto tudo se dissipou com abraços, beijos: ‘Eu te amo. Sinto sua falta’. E toda aquela besteira que aconteceu por anos, todo o drama imediatamente se dissipou. E foi isso."
Ainda assim, a volta não se concretizou de imediato. "Para ser sincero, mesmo naquela época se alguém me perguntasse, eu responderia: ‘Ah, não sei se apostaria nisso’. E então começaram a surgir esses passos musicais que me fizeram pensar que era inevitável. Toquei no álbum solo de John Petrucci e fiz uma turnê com ele. Junto a Jordan e Tony Levin, gravamos o terceiro disco do Liquid Tension Experiment. Ficou claro que era a hora. Estamos todos envelhecendo, na casa dos sessenta."
Houve até o exemplo de ídolos para se tomar como base. "Olhamos para o que aconteceu com o Rush. Eles fizeram sua turnê de 40º aniversário, se aposentaram e, cinco anos depois, Neil Peart se foi. Coisas assim nos faziam pensar sobre quanto tempo nos resta aqui, pessoal ou coletivamente como banda. E com tudo meio que se encaixando em níveis pessoais e musicais, começamos a sentir: ‘Talvez seja a hora’. E fico feliz que tenha acontecido, porque vejo histórias como a de Roger Waters nunca mais voltar ao Pink Floyd ou Peter Gabriel nunca mais voltar ao Genesis e sempre temi que fosse o caso com o Dream Theater."
O Dream Theater lançou o álbum "Parasomnia" após a volta de Portnoy. O trabalho chegou ao Top 10 em 15 paradas europeias, com destaques para o 2º lugar na Suíça e 3º na Alemanha. Em dezembro de 2024, o grupo passou pelo Brasil para 5 shows durante a turnê que celebrou seus 40 anos de carreira.
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