Os erros na história da filha secreta de Freddie Mercury, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de setembro de 2025
Biografias de astros do rock sempre despertam curiosidade, especialmente quando prometem revelar segredos nunca antes contados. No caso de Freddie Mercury, lendário vocalista do Queen, não é diferente: o cantor já foi retratado em inúmeros livros e documentários, mas uma nova obra trouxe um suposto fato inédito - a existência de uma filha secreta, mantida em sigilo durante toda a vida do artista.
O lançamento em questão é "Com Amor, Freddie", da jornalista e biógrafa Leslie Ann Jones. O livro afirma que Mercury teria tido uma filha em 1977, fruto de um caso extraconjugal com a esposa de um amigo próximo. Segundo a autora, essa filha, chamada apenas de "B" para preservar sua identidade, teria sido criada em segredo e recebia visitas regulares do cantor, além de diários pessoais entregues a ela pouco antes de sua morte, em 1991.

A história, naturalmente, chamou atenção da imprensa internacional e dividiu opiniões entre fãs. No Brasil, quem não deixou passar batido foi o crítico musical Regis Tadeu, que analisou a obra em vídeo publicado em seu canal. Conhecido por seu tom direto e sem filtros, Regis não poupou críticas à versão apresentada pela biógrafa.
Regis Tadeu e a suposta filha de Freddie Mercury
Logo de início, o jornalista questionou a veracidade do relato: "Sendo sincero como sempre, eu só acredito perante um exame, ou melhor, um resultado de exame de DNA positivo, porque fora isso, para mim é tudo cascata."
O livro descreve cenas quase cinematográficas da suposta relação entre Mercury e a filha. Em uma delas, o vocalista escaparia discretamente de limousines e multidões para trocar fraldas e cantar canções de ninar em uma casa anônima nos subúrbios de Londres. Para Regis, isso soa improvável: "Você consegue imaginar essa cena? Você consegue acreditar nisso? Eu não."
Outro ponto levantado pela biografia é que apenas o círculo íntimo do cantor - incluindo pais, irmã, companheiros de banda e Mary Austin - teria conhecimento da criança, mantendo um pacto de silêncio. O crítico, no entanto, contesta a plausibilidade desse segredo absoluto: "Nem o staff doméstico da mansão do Freddie Mercury sonhava com a existência dessa menina? Você consegue acreditar nisso? Eu não."
O momento mais dramático do livro acontece três semanas antes da morte de Mercury, em novembro de 1991. De acordo com a biógrafa, ele teria entregado 17 diários manuscritos à filha adolescente, contendo reflexões, lembranças da infância em Zanzibar e até inspirações para composições clássicas como "Somebody to Love". Para Regis, esse detalhe também levanta desconfiança: "Agora eu te pergunto, você acredita na biógrafa que diz que aqueles cadernos não eram meros relatórios, e sim algo muito próximo de uma autobiografia? Cara, você acredita nisso? Eu não."
O ponto central da crítica, porém, está na falta de provas concretas. A autora afirma que um exame de DNA teria sido realizado, mas não disponibiliza o resultado: "Quer dizer, foi feito um exame de linhagem. Cadê a confirmação da linhagem genética? Que papo é esse que 'eu confirmo, mas eu não vou mostrar o documento'? Que história é essa?"
Sem essa comprovação, Regis é categórico: "Eu só vou acreditar se vier a público o exame de DNA dizendo taxativamente que essa senhora é filha do Freddie Mercury. Tirando isso, para mim é tudo cascata."
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