Cantor do Grave Digger se faz de desentendido e diz que banda não vai acabar
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de setembro de 2025
O Grave Digger é um dos nomes mais duradouros do heavy metal alemão. Formada em 1980, a banda atravessou décadas com álbuns que se tornaram referência no gênero, como "Heavy Metal Breakdown" (1984) e "Tunes of War" (1996), sempre apostando em riffs pesados e letras que misturam fantasia, batalhas e figuras históricas. Mesmo diante de mudanças de formação e da transformação do próprio mercado da música, o grupo seguiu ativo, celebrando sua trajetória como uma das instituições do metal europeu.
Por isso, quando o grupo anunciou em setembro de 2023, em sua página oficial no Facebook, que iria encerrar as atividades em 2029, os fãs foram pegos de surpresa. "O início da última década do Grave Digger... junte-se a nós em nossa jornada final aos portões do inferno!", dizia a mensagem, que ainda prometia revelar um novo guitarrista em outubro daquele ano, após a saída de Axel Ritt, integrante desde 2009.

A declaração parecia um anúncio formal de despedida, mas em nova entrevista, a Gustavo Maiato do Whiplash.Net, o vocalista Chris Boltendahl desconversou quando questionado sobre o fim da banda. "Encerrar a banda? Não, não entendi isso", respondeu, em tom de surpresa, antes de assegurar que o Grave Digger já está trabalhando em novas músicas. Segundo ele, o grupo tem duas faixas prontas, uma terceira em andamento e planeja concluir a composição até abril, com lançamento do próximo álbum previsto para o verão europeu.
Boltendahl reforçou que a essência da banda segue intacta. "Nós tocamos heavy metal. Às vezes dizem que somos speed metal ou true metal, mas, no fim, é heavy metal clássico, como Judas Priest ou Iron Maiden, só que no estilo do Grave Digger."
Ao longo dos anos, o vocalista insistiu que o rótulo nunca foi o mais importante. Para ele, a missão do grupo sempre foi entregar músicas diretas, de energia crua e honestidade no palco. "Queremos reproduzir nos shows exatamente o que fazemos no estúdio. Somos uma banda de música feita à mão. Não há computador escondido atrás do palco", destacou em outra ocasião.
Esse compromisso com o metal tradicional consolidou o Grave Digger como referência no que Boltendahl chama de "true German heavy metal". Uma fórmula simples, mas que sustenta a banda há mais de 40 anos, conectando-se com fãs que buscam autenticidade em meio às evoluções do gênero.
Entre as músicas que definiram essa trajetória está "Rebellion", lançada em 1996 no álbum Tunes of War. Até hoje é a faixa mais ouvida do grupo no Spotify e presença obrigatória nos setlists. "Gravamos no estúdio e, naquela noite, eu não consegui dormir porque a melodia não saía da minha cabeça. Ali percebi que tínhamos criado algo muito especial", recorda Boltendahl.
O clipe gravado nas Highlands, na Escócia, reforçou o tom épico da canção, enquanto a emissora alemã Viva ajudou a torná-la um hit ao exibir o vídeo repetidamente nos anos 1990. Desde então, Rebellion se tornou para o Grave Digger o que "Another Thing Coming" é para o Judas Priest: um clássico incontornável, que não pode faltar em nenhuma apresentação.
Confira a entrevista completa abaixo.
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