A banda de rock alternativo que conseguiu juntar lado agressivo e delicado segundo André Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de janeiro de 2026
Muito antes de termos rótulos como shoegaze ou dream pop, uma banda escocesa conseguiu realizar algo que, até então, parecia contraditório: unir agressividade extrema e delicadeza melódica dentro do mesmo disco. Em um vídeo recente publicado em seu canal, o jornalista André Barcinski relembra como o The Jesus and Mary Chain foi pioneiro nessa fusão que redefiniu os caminhos do rock alternativo.

Ao comentar o impacto de Psychocandy (1985), álbum de estreia da banda, Barcinski destaca que, naquele momento, "não era comum você ter uma banda abrasiva, agressiva, e ao mesmo tempo doce". Segundo ele, o grupo formado pelos irmãos Jim e William Reid conseguiu algo raríssimo: criar um som "super pesado, com montanhas de distorção", mas sustentado por melodias inspiradas no pop dos anos 1960 e no universo de produtores como Phil Spector.
O jornalista lembra que o Jesus and Mary Chain era movido por duas obsessões aparentemente opostas. De um lado, o amor pelo ruído, pela repetição hipnótica do Velvet Underground e pela brutalidade do rock de garagem americano, como MC5. Do outro, a devoção às harmonias dos Beach Boys, aos girl groups e à soul music. Psychocandy nasce exatamente desse choque: guitarras saturadas empilhadas umas sobre as outras, mas conduzindo canções que, no fundo, são baladas românticas.
André Barcinski e Jesus and Mary Chain
Barcinski também ressalta que a postura da banda ajudou a construir essa aura de ruptura. Os shows iniciais eram curtos, barulhentos e frequentemente terminavam em confusão, com apresentações de costas para o público e níveis de microfonia que beiravam o insuportável. Ainda assim, quando o caos encontrava a melodia, surgiam faixas como "Just Like Honey", que ele define como "uma música doce até a medula", apesar de inserida num disco ensurdecedor.
Na avaliação do jornalista, Psychocandy não apenas marcou época, como abriu caminho para toda uma geração posterior. "Esse disco mostrou que era possível fazer música pesada e doce ao mesmo tempo", afirma Barcinski, apontando sua influência direta sobre o nascimento do shoegaze e sobre bandas como My Bloody Valentine, Ride e Loop. O álbum, segundo ele, funciona como um verdadeiro marco zero dessa estética.
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