O álbum que é para quem tem capacidade cognitiva de ouvir até o fim, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de fevereiro de 2026
Em tempos de consumo musical fragmentado, playlists infinitas e músicas puladas nos primeiros segundos, ouvir um álbum inteiro virou quase um movimento rebelde. Foi justamente essa provocação que o crítico musical Regis Tadeu trouxe à tona em uma publicação recente nas redes sociais, ao comentar um disco pouco lembrado do grande público, mas bastante cultuado entre fãs de hard rock setentista.
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No Instagram, Regis revelou que a trilha sonora de seu domingo foi o álbum de estreia do Three Man Army, "A Third of a Lifetime", lançado originalmente em 1971. O disco ganhou recentemente uma reedição em CD no Brasil, com faixas bônus e pôster, pela gravadora Hellion Records, especializada em resgates do rock pesado clássico.
"A trilha sonora da manhã deste domingo foi o excelente álbum de estreia da banda inglesa Three Man Army", escreveu o crítico. Em seguida, ele contextualizou o som do grupo, liderado por Adrian Gurvitz, ex-integrante do Gun e músico que mais tarde formaria o Baker Gurvitz Army ao lado de Ginger Baker, ex-Cream.
Segundo Regis, o Three Man Army apostava em "um hard rock com pitadas de progressivo e uma certa melancolia", combinação bastante característica do início dos anos 1970. Longe de fórmulas fáceis ou refrões imediatos, o disco exige atenção do ouvinte, algo que o crítico fez questão de destacar com ironia afiada.
"É som para quem ainda tem a capacidade cognitiva de sentar e ouvir um álbum do início ao fim, algo que parece estar em extinção", escreveu. A frase resume não apenas sua opinião sobre o disco, mas também uma crítica direta à forma como a música tem sido consumida atualmente, cada vez mais rápida e descartável.
Lançado em um período fértil do hard rock britânico, A Third of a Lifetime nunca foi um campeão de vendas, mas conquistou respeito ao longo das décadas pela consistência, pelos arranjos elaborados e pelo trabalho de guitarra de Gurvitz. A nova edição brasileira reacende o interesse por esse capítulo menos óbvio, porém relevante, da história do rock.
Regis encerrou sua avaliação sem rodeios, como de costume: "Discão!". Curta, direta e suficiente para deixar claro que, para quem ainda valoriza a experiência completa de um álbum, o Three Man Army segue sendo uma audição mais do que recomendada.
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