Cantora do Shamangra faz importante denúncia do preconceito contra mulheres no metal
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de abril de 2026
A cantora Hanna Paulino, que integra o Shamangra - projeto que reúne músicos egressos do Angra e do Shaman -, afirmou em entrevista ao podcast Amplifica que o preconceito contra mulheres no metal brasileiro persiste e que sua presença no cenário ainda provoca rejeição por parte de alguns fãs. "O simples fato de eu ser mulher me invalida", disse ela, ao narrar um comentário recente nas redes sociais: "Continuem procurando até encontrar um vocalista."

A declaração foi dada durante o episódio 330 do programa, exibido nesta semana no YouTube, no qual Hanna dividiu o sofá com o guitarrista Rafael Bittencourt, fundador do Angra. O podcast é apresentado pelo Canal Amplifica.
A cantora, natural de Macapá (AP), relatou ter entrado na cena metal há cerca de 15 anos, quando um site especializado publicou um ranking das "mulheres mais bonitas" do cenário nacional. "A lista era formada só por mulheres brancas, mulheres magras e tudo isso - o padrão que o metal sempre impôs, principalmente nos anos 1990 e 2000", afirmou. Ao ter seu nome incluído na lista, foi alvo de comentários depreciativos. "Dá para ver que eu não faço parte desse padrão", disse.
Preconceito contra as mulheres no metal
Questionada se o cenário evoluiu desde então, Hanna foi direta. "Acredito que não mudou nada. Pelo contrário, a gente continua batalhando ainda mais para se fazer presente, para ser resistência acima de qualquer coisa." A cantora ainda classificou o mercado como "majoritariamente masculino, branco e do Sudeste", citando as "várias camadas sociais" que pesam sobre sua trajetória.
Ela também mencionou críticas que recebeu nos primeiros shows do Shamangra, quando comentários questionavam sua competência por não soar como André Matos, vocalista falecido do Angra. "Houve comentários que me desqualificavam enquanto cantora porque eu não canto igual ao André Matos", relatou. Hana disse que respondeu aos ataques reforçando sua identidade artística. "Eu sou a Hanna Paulino. Eu canto o repertório do Angra, do Shaman, da carreira solo, do André - com respeito, porque acima de tudo sou fã."
A cantora creditou à vocalista Mayara Puertas, com quem tem amizade de longa data, o papel decisivo em sua entrada no projeto. Foi Puertas quem a indicou ao baixista Luís Mariutti, idealizador do Shamangra. Hana disse que, apesar das resistências, mantém uma visão otimista. "Eu não devo me amedrontar, não devo me apequenar com isso", afirmou, citando a rapeira paulistana Duquesa: "Se Deus me deu beleza e talento, eu vou vender."
O Shamangra tem 16 datas confirmadas em turnê. Os ingressos estão disponíveis no site oficial do grupo.
Confira a entrevista completa abaixo.
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