O hard rock clássico que John Lydon usou para entrar no Sex Pistols
Por Bruce William
Postado em 31 de maio de 2026
Antes de virar um dos rostos mais conhecidos do punk, John Lydon entrou no Sex Pistols de um jeito que combina perfeitamente com a história da banda: sem virtuosismo, sem grande preparação e sem uma audição convencional. Em vez de impressionar Steve Jones, Paul Cook, Glen Matlock e Malcolm McLaren com uma grande performance vocal, ele apareceu com atitude, estranheza e uma escolha musical que dizia muito sobre suas referências.
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A música era "I'm Eighteen", de Alice Cooper. Lançada como single em 1970 e incluída no álbum "Love It to Death", de 1971, a faixa foi um dos primeiros grandes passos comerciais de Cooper, chegando ao 21º lugar da Billboard Hot 100. O tema já parecia feito para adolescentes deslocados: não ser mais criança, ainda não ser adulto, estar confuso, irritado e sem lugar definido no mundo. Não por acaso, a canção acabaria deixando marcas em áreas diferentes do rock pesado e do punk.
A audição de Lydon costuma ser lembrada justamente por esse detalhe quase absurdo. Ele teria dublado a música de Alice Cooper diante da turma, usando o jukebox da loja ligada a McLaren e Vivienne Westwood. O New Yorker, ao relembrar uma declaração de McLaren sobre aquele período, descreveu Lydon entrando em cena com cabelo verde, dentes ruins e uma presença que misturava dor, raiva, timidez e vulnerabilidade. Aquilo não era canto bonito. Era outra coisa.
Para uma banda que ainda procurava sua identidade, talvez fosse exatamente o bastante. O Sex Pistols não precisava de um cantor no sentido clássico. Precisava de alguém que parecesse uma ameaça ambulante ao bom gosto, à educação, ao rock engomado e à própria ideia de profissionalismo musical. Lydon podia não cantar como um vocalista tradicional, mas carregava uma tensão física que logo se tornaria inseparável do punk britânico.
A escolha de Alice Cooper também ajuda a derrubar uma leitura preguiçosa sobre o punk, como se ele tivesse surgido apenas contra tudo que veio antes. Conforme coloca a Far Out, Lydon odiava muita coisa no rock teatral e comercial, e não poupava ataques a bandas que, para ele, vendiam uma imagem falsa. Sobre o Kiss, por exemplo, já disse que os integrantes eram sujeitos legais, mas que, "sem a maquiagem, não havia muita coisa acontecendo". Com Cooper, a percepção era outra.
Lydon via Alice Cooper como alguém que transformava fantasia em teatro de verdade, não apenas em embalagem vazia. "Alice Cooper é um dos meus favoritos de todos os tempos. A maneira pura como ele transformou aquilo em teatro foi ótima. Eu amava quando era jovem, e ainda amo. Toda vez que o vejo tocando ao vivo, estou lá."
"I'm Eighteen" também tinha um tipo de desconforto que o punk aproveitaria muito bem. A música não era política no sentido direto, mas falava de inadequação, raiva juvenil e identidade quebrada. Joey Ramone se inspirou em seus acordes para uma das primeiras músicas dos Ramones, e Lydon escreveria "Seventeen", no álbum "Never Mind the Bollocks", como uma espécie de resposta à faixa de Cooper.
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