O que Dado Villa-Lobos não curtia no som da Legião Urbana: "Era chatinho; me incomodava"
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de maio de 2026
Dado Villa-Lobos disse que a Legião Urbana perdeu parte da energia punk ao longo da carreira. Em entrevista ao Estadão, o guitarrista afirmou que algumas músicas o incomodavam pela repetição de timbres e por uma certa ingenuidade nos arranjos. A crítica veio ao comentar momentos em que a banda se afastou das raízes ligadas ao Aborto Elétrico e ao pós-punk.
Legião Urbana - Mais Novidades
"Às vezes eram chatinhas", disse Dado, ao falar de algumas canções da Legião. Ele citou o uso recorrente do mesmo timbre no teclado Juno-106, sintetizador muito presente em parte da sonoridade da banda. "Me incomodava em determinado momento que ele só usava o mesmo timbre no Juno-106. Aí a música ia para aquele caminho, e de repente a gente podia ir para outro."
O guitarrista afirmou que a Legião nasceu de um berço punk. Antes da banda, havia o Aborto Elétrico, grupo fundamental na origem do rock de Brasília. Depois, a Legião assumiu referências pós-punk, mas aos poucos deixou de caber em um rótulo claro. "A gente tinha essas referências. Depois virou uma banda mais sem muito selo", disse Dado.
Questionado se a banda havia perdido energia punk, Dado respondeu de forma direta: "Perdemos." Ele, porém, disse que o grupo também sabia se reorganizar. Como exemplo, citou "Perfeição", lançada no álbum "O Descobrimento do Brasil". A música recuperou uma força crítica e direta em um momento posterior da carreira.
Dado também reconheceu que a Legião oscilava. Em alguns momentos, segundo ele, uma queda criativa podia alimentar críticas de que Renato Russo "não escrevia mais". O guitarrista citou "Os Anjos" como exemplo de faixa que lhe parecia "ingênua". Ainda assim, evitou transformar a ressalva em condenação geral. Para ele, a banda tinha momentos de queda, mas também conseguia recuperar força.
Ao olhar para trás, Dado destacou que a Legião tinha uma sonoridade própria. Ele disse que o grupo possuía um jeito particular de gravar e de lidar com os arranjos. A crítica ao Juno-106 e à perda de energia punk, portanto, não apaga a marca da banda. Mostra apenas que, para quem estava dentro dela, a obra também teve tensões, escolhas discutíveis e fases desiguais.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Cronos, vocalista e baixista do Venom, morre aos 63 anos
Sepultura esgota ingressos do último show da carreira
O curioso tema do TCC de Fernanda Lira que professora reprovou e a fez largar a faculdade
Moyses Kolesne, do Krisiun, homenageia Cronos; "O maior de todos"
Judas Priest fará turnê sul-americana em 2027, segundo o Summa Inferno
Nicko McBrain relembra o dia em que ficou alucinado e confundiu ônibus com elefante
A banda inglesa que abriu caminho nos EUA antes de Def Leppard e Iron Maiden
O álbum do Led Zeppelin que Jimmy Page acredita que ninguém conseguiria fazer hoje
A arrepiante música do Nirvana que foi sua última gravação e último hit
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Jim Root diz que não tem nada a ver com inclusão de Marilyn Manson em tour do Slipknot
Os bastidores da saída de Fabio Lione do Angra, segundo Marcelo Barbosa
O inesperado esporte que Dado Villa-Lobos foi campeão na França e o fez perder dente
A canção da Legião Urbana sobre a qual Dado Villa-Lobos errou em seu livro
O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
Por que IA vai imitar melhor Chico Buarque do que Renato Russo, segundo escritor
A gravação inédita da Legião Urbana que ainda pode ver a luz do dia
Os clássicos do rock nacional que são os favoritos de Lito Sousa, do Aviões e Músicas
A reação de Carlos Trilha quando gravadora propôs R$ 400 por sua obra na Legião Urbana


