O guitarrista que teria Elton John como músico de apoio, mas perdeu por pagar pouco
Por Bruce William
Postado em 30 de maio de 2026
Elton John esteve muito perto de seguir um caminho bem diferente pouco antes de sua carreira virar. Hoje parece estranho imaginar isso, porque sua imagem ficou ligada ao piano, às canções com Bernie Taupin, aos óculos, aos figurinos e a uma discografia própria enorme. Mas, em 1970, ele ainda não era esse Elton John. Era um compositor tentando se firmar, com bons músicos ao lado e uma chance tentadora de entrar na estrada com um dos guitarristas mais respeitados do rock britânico.
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O convite envolvia Jeff Beck. A ideia era que Elton, o baixista Dee Murray e o baterista Nigel Olsson funcionassem como banda de apoio de Beck em uma turnê americana. Para alguém que ainda buscava espaço, aquilo parecia uma porta enorme. Beck já vinha de "Truth" e "Beck-Ola", dois discos que ajudaram a consolidar seu nome fora dos Yardbirds, e tocar com ele significava entrar em palcos grandes diante de um público que talvez Elton demorasse anos para alcançar sozinho.
Elton contou em sua autobiografia oficial, em fala repercutida na Far Out, que a proposta parecia difícil de recusar. "Jeff efetivamente queria usar eu, Dee e Nigel como sua banda de apoio para uma turnê americana. Seriam plateias grandes, e eu tocaria minhas músicas para elas - não como um artista completamente desconhecido, mas como parte da banda de Jeff Beck." Para um músico ainda sem grande fama nos Estados Unidos, havia uma lógica clara nisso: pegar carona em um nome já respeitado e mostrar suas canções dentro de um pacote mais forte.
O problema foi a divisão financeira. Segundo Elton, o acordo previa que ele e seus músicos ficassem com apenas 10% da renda, enquanto Beck ficaria com 90%. Dick James, editor e empresário ligado à carreira de Elton naquele momento, barrou a ideia. A frase que ele teria dito ficou na memória do cantor: "Eu prometo agora: Elton John vai ganhar o dobro do que Jeff Beck ganha." Elton não recebeu aquilo como grande profecia. Pelo contrário, temeu virar para sempre "o cara que um dia ia ganhar o dobro de Jeff Beck" enquanto continuava penando em clubes.
O plano alternativo acabou sendo decisivo. Em vez de ir aos Estados Unidos como parte da banda de Beck, Elton viajou com Dee Murray e Nigel Olsson como trio. A estreia americana aconteceu no Troubadour, em Los Angeles, em 25 de agosto de 1970. O próprio site oficial de Elton John trata aquela apresentação como um ponto de virada, com o cantor, Murray e Olsson saindo do palco e gerando um impacto imediato na imprensa e na indústria musical.
A apresentação no Troubadour virou uma das noites mais famosas da carreira de Elton. A Louder lembra que, em determinado momento, a ideia chegou a ser justamente tocar ali com Jeff Beck, mas o caminho mudou depois da intervenção de Dick James. No fim, Elton apareceu como atração principal, acompanhado apenas por baixo e bateria, sem guitarra para dividir o centro da cena.
Essa formação enxuta também ajudou a definir sua força ao vivo. Sem uma banda grande por trás, Elton precisava atacar o piano como instrumento rítmico, melódico e quase percussivo, enquanto Murray e Olsson preenchiam o espaço com uma energia que surpreendeu muita gente. O que poderia ter sido um posto de apoio atrás de Jeff Beck virou vitrine própria. Em vez de "o pianista da banda do Beck", Elton saiu de Los Angeles como uma aposta séria do rock e do pop britânico nos Estados Unidos.
A ironia é que tocar com Jeff Beck não teria sido exatamente uma má escolha. Elton poderia ter aprendido muito, ganhado experiência e se apresentado para plateias maiores logo de cara. Mas talvez também tivesse entrado em um papel pequeno demais para o tipo de artista que estava prestes a se revelar. Seu material precisava de espaço, de silêncio em volta, de gente prestando atenção na voz, no piano e nas letras de Taupin.
No fim, Dick James estava certo, ainda que a frase parecesse absurda naquele momento. Pouco depois, "Your Song" levaria Elton a outro patamar, e a sequência dos anos 70 faria o resto. Jeff Beck continuou sendo Jeff Beck, um guitarrista respeitado por músicos do mundo inteiro. Elton John virou outra coisa: um artista que não precisava entrar na banda de ninguém para tocar em palcos grandes. A turnê com Beck poderia ter sido um bom atalho. O desvio, nesse caso, foi melhor.
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