O disco em que o Rainbow ajudou a desenhar outro caminho para o heavy metal
Por Bruce William
Postado em 27 de maio de 2026
Ritchie Blackmore já tinha deixado sua marca no rock pesado com o Deep Purple, mas o Rainbow permitiu que ele seguisse uma estrada menos dependente das disputas internas de sua antiga banda. O primeiro álbum, "Ritchie Blackmore's Rainbow", lançado em 1975, nasceu quase como um projeto paralelo com músicos do Elf, banda de Ronnie James Dio. Já "Rising", de 1976, foi outra coisa: uma formação montada com mais intenção, um som mais definido e uma ideia mais clara do que aquele novo grupo poderia ser.
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A escalação do disco ajuda a explicar a diferença, teoriza a Ultimate Classic Rock. Blackmore manteve Dio nos vocais, mas trouxe Cozy Powell para a bateria, Jimmy Bain para o baixo e Tony Carey para os teclados. O álbum foi gravado no Musicland Studios, em Munique, com produção de Martin Birch, nome que já vinha da história do Deep Purple e depois trabalharia com bandas como Iron Maiden e Blue Öyster Cult. "Rising" saiu em 17 de maio de 1976 e, mesmo com apenas seis faixas, acabou ganhando um peso enorme dentro do hard rock e do metal.
O disco não tenta impressionar pelo tamanho. Ele tem pouco mais de meia hora, mas soa como se abrisse uma porta para um universo inteiro. O lado A ainda guarda músicas mais diretas, como "Run With the Wolf", "Starstruck" e "Do You Close Your Eyes". Mas a abertura com "Tarot Woman", puxada pelo teclado de Tony Carey, já avisa que Blackmore não queria apenas repetir os riffs do Purple com outro cantor. Havia uma atmosfera mais teatral, misteriosa, quase medieval, mas sem perder o corpo de banda pesada.
A virada mais forte vem no lado B. "Stargazer" é o centro do álbum e talvez a música que melhor explica por que "Rising" ficou tão importante. A faixa passa dos oito minutos, traz a Orquestra Filarmônica de Munique em sua parte final e coloca Dio narrando uma história de fantasia sombria, com um mago tirânico, uma torre de pedra e uma multidão presa a uma obsessão. Não era só letra "sobre castelos" jogada em cima de hard rock. A música inteira parecia construída para soar grande, dramática e perigosa.
Essa combinação ajudou a formar aquilo que muita gente depois chamaria de "castle metal" ou "castle rock": um heavy rock cheio de imagens épicas, melodias grandiosas e um pé na fantasia. Dio levaria muito dessa linguagem para o Black Sabbath e para sua carreira solo, enquanto várias bandas de metal posteriores beberiam dessa fonte sem esconder muito. A MusicRadar, ao tratar da parceria de Blackmore com Dio, resume Rising como o ponto alto dessa fase curta, mas decisiva, em que o Rainbow encontrou uma identidade própria.
Cozy Powell também foi peça central nessa mudança. Sua bateria dava ao Rainbow uma imponência diferente, mais marcial e menos solta do que a pegada de Ian Paice no Deep Purple. Em "A Light in the Black", a banda acelera e fecha o disco quase como se estivesse apontando para territórios que o metal exploraria com mais força nos anos seguintes. Não é exagero dizer que há ali uma semente do metal mais épico e veloz, mesmo que o Rainbow ainda viesse diretamente da tradição do hard rock setentista.
O curioso é que "Rising" não foi um gigante comercial imediato no nível de alguns clássicos do período. Chegou ao 11º lugar no Reino Unido e ao 48º nos Estados Unidos, mas sua reputação cresceu muito com o tempo, especialmente entre músicos e fãs de hard rock. O disco vendeu de forma constante, recebeu certificações posteriores e passou a ser tratado como peça fundamental na transição entre o hard rock dos anos 70 e formas mais épicas do heavy metal.
No fim, "Rising" funciona porque não tenta escolher entre peso e melodia. Blackmore queria riffs fortes, mas também queria drama, escala, clima e espaço para sua guitarra soar quase como parte de uma narrativa. Dio entrou nesse mundo com uma voz que parecia feita para cantar sobre montanhas, magos, sombras e quedas. Em apenas seis músicas, o Rainbow mostrou que o heavy metal podia ser mais do que volume e agressividade: podia ter cenário, enredo e uma ambição quase cinematográfica sem deixar de bater forte.
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