A canção do Iron Maiden que arrepia Bruce Dickinson; "genial"
Por Bruce William
Postado em 26 de junho de 2026
Bruce Dickinson não estava nos dois primeiros discos do Iron Maiden. Quando chegou em "The Number of the Beast", lançado em 1982, a banda já tinha uma identidade forte, mas ganhou outro tipo de alcance. A voz de Dickinson trouxe teatro, amplitude e uma dose de drama que combinava perfeitamente com as histórias grandiosas que Steve Harris gostava de transformar em música.
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Essa combinação ajudou o Iron Maiden a ir além do heavy metal direto. A banda podia escrever refrões para arenas, mas também se sentia confortável em faixas longas, cheias de mudanças, clima cinematográfico e letras inspiradas por literatura, história, guerra e fantasia. Poucas músicas representam melhor esse lado do grupo do que "Rime of the Ancient Mariner".
Lançada em 1984 no álbum "Powerslave", a faixa é baseada no poema "The Rime of the Ancient Mariner", de Samuel Taylor Coleridge. Com mais de 13 minutos, ela nunca foi exatamente uma tentativa de caber no rádio. Era o Iron Maiden em escala épica, usando o peso do metal para contar uma história de maldição, culpa, mar, morte e redenção.
Segundo a Far Out, Dickinson falou sobre a música em entrevista a Eddie Trunk. Ao comentar faixas que gostaria de voltar a cantar ao vivo, ele lembrou que, durante a quarentena, estava tentando melhorar sua pontuação no pinball oficial do Iron Maiden, que trazia algumas músicas da banda. Uma delas era justamente "Rime of the Ancient Mariner", que na época da entrevista estava longe dos shows havia bastante tempo, embora tenha voltado ao repertório em apresentações recentes.
"Uma das músicas que eu realmente gostava de fazer - e, na verdade, durante o lockdown, eu estava tentando melhorar minha pontuação no pinball do Iron Maiden, e claro que temos algumas faixas muito legais na máquina, incluindo 'Rime of the Ancient Mariner', que não tocamos há séculos."
Dickinson não falou da música apenas como raridade de repertório. Ele destacou justamente aquilo que faz a faixa sobreviver como uma das composições mais ambiciosas do Maiden: a força narrativa. "Eu simplesmente adoro fazer essa música. O elemento de contar história é genial, e depois a quebra, aquela parte sombria, então entrando no trecho 'the curse it lives on in their eyes'... ah, fico arrepiado só de ouvir."
A empolgação faz sentido. "Rime of the Ancient Mariner" exige mais do que potência vocal. Dickinson precisa agir como narrador, personagem e condutor de tensão. A música passa por trechos acelerados, pausas soturnas, mudanças de atmosfera e retomadas dramáticas. É quase uma peça teatral dentro de um show de heavy metal.
Esse tipo de composição também mostra por que o Iron Maiden nunca foi apenas uma banda de riffs e mascote famoso. Steve Harris, principal compositor e líder musical do grupo, sempre teve atração por narrativas longas e estruturas que podiam crescer sem pressa. Em "Rime of the Ancient Mariner", essa ambição encontra um dos seus momentos mais completos.
Dickinson, por sua vez, parece gostar justamente das faixas que dão espaço para interpretação. Ele também citou músicas como "The Prisoner" e "Stranger in a Strange Land" como exemplos de material que gostaria de revisitar. Não é uma escolha baseada apenas nos maiores sucessos, mas em canções com personalidade, clima e alguma margem para ele trabalhar como frontman.
No caso de "Rime of the Ancient Mariner", essa margem é enorme. A faixa tem o lado aventureiro do Maiden, mas também uma estranheza que a separa dos hinos mais imediatos. Ela pede atenção, constrói imagens e leva o público para dentro de uma história. Não por acaso, virou uma daquelas músicas que os fãs mais dedicados tratam como tesouro.
Mesmo décadas depois, Dickinson fala da música como alguém que escuta novamente e entende por que ela merecia voltar ao palco. O Maiden tem clássicos mais diretos, mais populares e mais fáceis de encaixar em qualquer setlist. Mas "Rime of the Ancient Mariner" ocupa outro lugar: o da faixa em que a banda levou sua vocação narrativa ao limite.
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