O álbum gravado sob intensa tristeza que se tornou um dos maiores do Queen, conforme Brian May
Por Bruce William
Postado em 19 de junho de 2026
O Queen não voltou ao estúdio depois da morte de Freddie Mercury para fingir que nada havia acontecido. Quando Brian May, Roger Taylor e John Deacon retomaram as gravações deixadas pelo vocalista, o grupo estava mexendo em material que carregava uma presença e uma ausência ao mesmo tempo. A voz estava ali. O homem que a havia gravado, não.
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"Made in Heaven", lançado em 1995, nasceu dessa situação delicada. O álbum reuniu faixas trabalhadas nos últimos anos de Mercury, sobras de sessões anteriores e músicas que precisaram ser reconstruídas pelos integrantes sobreviventes. Não era apenas um disco póstumo. Era a tentativa de encerrar a história do Queen com Freddie de um modo que parecesse digno dele.
A gravação de algumas vozes havia ocorrido quando o cantor já estava muito debilitado. Mesmo assim, Mercury queria deixar material para que os colegas terminassem depois. Em "Mother Love", uma das faixas mais comoventes do álbum, ele gravou parte da voz, mas não conseguiu completar a música. Brian May cantou o trecho final.
Para May, o processo de trabalhar com aquelas fitas foi pesado. Ele precisou passar horas ouvindo Freddie, editando, montando e completando canções enquanto a perda ainda era recente. Em certos momentos, a pergunta inevitável aparecia: por que continuar fazendo aquilo se o centro da banda já não estava mais ali?
Com o tempo, porém, a relação dele com o disco mudou. "Acho que é um dos nossos melhores álbuns, estranhamente", disse May, em declaração publicada no seu site oficial, brianmay.com. "Eu amo esse álbum, posso colocá-lo para tocar a qualquer hora."
Ele admitiu que houve momentos difíceis, especialmente por ouvir a voz de Freddie o tempo todo durante o trabalho, destaca a Far Out. "De repente você pensa: 'Meu Deus, ele não está aqui. Por que estou fazendo isso?' Mas agora, depois de ter passado por aquilo, posso ouvir o álbum, e é apenas alegria."
Essa alegria não apaga a melancolia de "Made in Heaven". Pelo contrário, depende dela. Canções como "A Winter's Tale", "Too Much Love Will Kill You", "You Don't Fool Me" e a faixa-título parecem atravessadas pela consciência de fim, mesmo quando soam grandiosas ou luminosas. O álbum não tenta esconder a despedida; transforma-a em parte da experiência.
Por isso May o colocava tão alto na discografia do Queen. Tecnicamente, talvez não seja o disco mais coeso ou revolucionário da banda. Emocionalmente, poucos trabalhos do grupo carregam um peso comparável. "Made in Heaven" não mostra o Queen no início de uma nova fase. Mostra três músicos tentando terminar uma conversa com o amigo que já não podia responder.
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