O cara que conseguiu fazer Neil Peart aceitar dicas na bateria
Por Bruce William
Postado em 08 de junho de 2026
Neil Peart não era exatamente o tipo de baterista que alguém imaginaria precisando de orientação em estúdio. Depois de décadas no Rush, ele já havia criado uma linguagem própria, com precisão, viradas complexas, senso arquitetônico de composição e uma relação quase obsessiva com preparo. Mesmo assim, nos últimos anos da banda, houve um produtor que conseguiu entrar nesse espaço sem parecer invasivo.
Rush - Mais Novidades
Nick Raskulinecz já havia trabalhado com o Rush em "Snakes & Arrows", de 2007, e voltou para produzir "Clockwork Angels", lançado em 2012. A diferença é que, no último álbum de estúdio da banda, sua presença parece ter afetado Peart de um jeito mais profundo. O produtor era fã declarado do Rush, mas sabia que, no estúdio, não podia agir apenas como admirador. "Você quer honrar isso, mas também quer empurrar a banda para frente e permitir que eles sejam o melhor que podem ser agora", disse ele à MusicRadar.
Geddy Lee contou ao Ultimate Guitar que Raskulinecz mudou toda a abordagem de Peart em "Clockwork Angels". Segundo o baixista e vocalista, Neil queria Nick na sala "conduzindo" e o estimulando durante as gravações, como alguém que mantinha a energia acesa enquanto ele tocava.
O próprio Raskulinecz contou que não tinha medo de interferir. Em entrevista à MusicRadar, ele disse que houve momentos em que entrava na sala de bateria com uma baqueta na mão para conversar com Neil sobre determinadas viradas e ideias. Também fazia isso com Alex Lifeson e Geddy Lee quando achava necessário. "Sim, eu sou fã do Rush - eu amo pra caramba o Rush - mas se eu deixar isso atrapalhar, não estou fazendo meu trabalho">, afirmou.
Para Peart, esse tipo de participação parece ter funcionado porque vinha com entusiasmo, não com imposição fria. Em entrevista de 2012 republicada pela Louder, ele disse que Nick tinha uma energia fantástica e que, no começo, pedia para ele tocar algo, imitava as partes e sugeria viradas de um jeito tão exagerado que o próprio Neil ficava constrangido de colocar aquilo na música. Mas então ele tentava, conseguia executar, e o produtor reagia com empolgação.
Esse processo combinou com a forma como "Clockwork Angels" foi construído. Raskulinecz queria ouvir um Rush mais solto, sem a preocupação inicial de fazer músicas de três minutos e meio ou seguir estruturas previsíveis. Segundo ele, disse à banda que queria "Rush sem rédea", com os músicos tocando sem segurar nada. Boa parte do material nasceu de jams de Geddy e Alex, antes de Neil entrar e transformar aquelas ideias com suas partes de bateria e letras.
A mudança também aparece no depoimento de Peart sobre improvisação. Ele disse que havia muita improvisação em "Clockwork Angels", algo que tornava o disco mais afiado, com a banda em uma região entre controle e caos. Para um baterista conhecido por calcular cada detalhe, essa abertura tinha peso especial. Não era abandono da precisão, mas uma tentativa de deixar a música respirar com mais risco.
No caso de Nick Raskulinecz, o mérito talvez tenha sido saber como falar com uma banda que já não precisava provar nada. Ele não chegou para ensinar Neil Peart a tocar bateria, o que seria até cômico. Chegou para provocar, puxar energia e tirar do baterista algo que ele talvez não buscasse sozinho naquele momento. Em um álbum que acabou virando o último do Rush, essa parceria deu a Peart uma forma diferente de encerrar a própria discografia: ainda técnico, ainda reconhecível, mas mais disposto a aceitar um empurrão vindo de fora da cabine.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Aerosmith anuncia dois shows em Hollywood com uma série de convidados
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
O significado da palavra escrita igual em inglês e português que Fernanda Lira usou na Crypta
Iron Maiden e Megadeth juntos na América do Sul? Eis o que Dave Mustaine diz
Responsável pela mixagem de "...And Justice for All" considerou "estúpido" limar o baixo
Baterista aprende repertório em menos de 3 horas e faz show com o Arch Enemy
Os seis países onde o Iron Maiden fez apenas um show durante toda a carreira
O álbum que Mark Knopfler gravaria de graça só para tocar perto de um de seus ídolos
Guitarrista fala sobre álbum ao vivo e música inédita do Type O Negative
Quando o Pink Floyd ganhou 300 milhões de dólares ao ignorar ideia de Roger Waters
A música do novo álbum do Deep Purple sobre excentricidades de rockstars
A atual opinião de Jason Newsted sobre o baixo de "...And Justice for All'?" do Metallica
A música gravada pelo Slayer que Kerry King odeia
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
A música gravada pelo Iron Maiden que foi uma "dor de cabeça" para Paul Di'Anno


A banda soft rock americana da qual Geddy Lee (Rush) é um grande fã
O guitarrista extraordinário que Alex Lifeson admirava, mas cuja banda não o emocionava
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
O disco ao vivo que mostrou ao mundo o que o Rush realmente era capaz de fazer
A canção dos anos 60 que Geddy Lee diz ser "heavy metal antes de existir heavy metal"
O álbum em que Geddy Lee acredita que o Rush finalmente encontrou seu equilíbrio
O show do Pink Floyd que Neil Peart colocou entre os melhores que já viu
O baterista idolatrado por Neil Peart e Stewart Copeland; "o auge inalcançável"
O baterista que conseguiu a façanha de ser tratado como deus por John Bonham e Neil Peart
Classic Rock divulga lista das 50 maiores bandas de Rock de todos os tempos


