Cinco bandas que começaram no death metal e depois viraram outra coisa
Por Bruce William
Postado em 01 de junho de 2026
Muita banda muda de som com o tempo, mas algumas parecem trocar quase de identidade. No metal extremo isso fica ainda mais curioso, porque o começo costuma marcar muito a percepção do público. Se uma banda nasce no death metal, com vocal gutural, timbre serrado e bateria atropelando tudo, não é pouca coisa chegar anos depois soando como black metal, metal sinfônico, hard rock gótico ou uma mistura teatral difícil de encaixar.
Darkthrone - Mais Novidades
Uma lista da Loudwire reuniu cinco nomes que começaram dentro do death metal e depois se afastaram bastante da própria origem: Darkthrone, Avatar, Sentenced, Tribulation e Therion. Quatro deles vêm da Suécia ou da Finlândia, com o Darkthrone representando a Noruega, uma região onde o metal extremo cresceu com força própria no fim dos anos oitenta e começo dos noventa.
O caso mais radical talvez seja o Darkthrone. Hoje o nome está ligado diretamente ao black metal norueguês, especialmente por discos como "A Blaze in the Northern Sky", "Under a Funeral Moon" e "Transilvanian Hunger". Mas a estreia, "Soulside Journey", lançada em 1991 pela Peaceville, era death metal, gravada no Sunlight Studio, em Estocolmo, com produção de Tomas Skogsberg. A própria Peaceville descreve essa fase inicial como death/doom técnico antes da banda ajudar a empurrar a segunda onda do black metal.
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O Avatar também pode surpreender quem conheceu a banda pela fase mais teatral, com visual circense, groove, metal alternativo e uma estética quase de espetáculo sombrio. Antes disso, os suecos estavam bem mais próximos do death metal melódico de sua terra. "Thoughts of No Tomorrow", de 2006, é classificado como melodic death metal, e "Schlacht", de 2007, ainda carregava bastante dessa ligação com o som de Gotemburgo. A virada para algo mais próprio ficaria mais clara em "Black Waltz", quando o grupo passou a construir a personalidade que hoje o diferencia.
O Sentenced saiu de outro canto frio da Europa com um começo bem mais brutal do que muita gente associa ao nome. A banda finlandesa estreou com "Shadows of the Past", em 1991, dentro de um death metal pesado, grave e úmido, bem distante do hard rock gótico e melancólico que marcaria sua fase posterior. Com "North from Here" e "Amok", a mudança começou a aparecer; depois, com Ville Laihiala nos vocais em Down, de 1996, a banda encontrou aquele tom depressivo e mais acessível que a acompanharia até o fim.
O Tribulation fez essa transformação em tempo mais recente e de um jeito muito elegante. A estreia "The Horror", de 2009, ainda tinha os pés fincados em um death metal cru, com elementos de thrash e black metal. Em "The Formulas of Death", de 2013, a banda já começava a alongar as músicas e abrir espaço para atmosfera. Quando chegou "The Children of the Night", em 2015, o death metal já estava bem mais distante, substituído por um som carregado de melodias escuras, death rock, gothic rock e metal sombrio.
O Therion talvez seja o exemplo mais conhecido de metamorfose completa. Antes de virar referência no metal sinfônico, com corais, arranjos grandiosos e discos conceituais enormes, a banda sueca começou com um death metal bem mais direto. "Of Darkness...", de 1991, e "Beyond Sanctorum", de 1992, pertencem a essa primeira fase extrema. A mudança foi gradual, até que "Vovin", de 1998, consolidou a identidade sinfônica pela qual o Therion ficaria mais conhecido.
E essas mudanças não seguem uma mesma rota. O Darkthrone foi para um black metal cru e deliberadamente áspero. O Avatar abraçou teatro e groove. O Sentenced mergulhou em tristeza gótica. O Tribulation transformou horror extremo em elegância sombria. O Therion trocou brutalidade por grandiosidade operística. O ponto de partida era parecido; o destino, nem um pouco.
Também há um risco aí. Quando uma banda abandona uma base extrema, sempre aparece alguém dizendo que ela "se vendeu", "amoleceu" ou traiu as origens. Às vezes a crítica faz sentido, às vezes é só apego de fã ao primeiro disco. Nesses cinco casos, porém, a mudança parece menos uma fuga e mais uma necessidade. Cada uma encontrou, bem ou mal, um caminho que não cabia mais dentro do death metal original.
A verdade é que death metal pode ser ponto de partida, mas não deve ser uma prisão perpétua. Algumas bandas ficam nele e constroem uma discografia inteira dentro da brutalidade. Outras usam aquela linguagem inicial como chão, depois derrubam as paredes e montam outra casa. E, para desespero dos puristas, algumas ficam mais interessantes justamente quando param de obedecer ao rótulo que as apresentou ao mundo.
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