A fase do Deep Purple que Ritchie Blackmore não suporta
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de setembro de 2026
Ritchie Blackmore explicou em declaração resgatada por que se afastou do Deep Purple pela última vez, em 1993, e a resposta não passa por briga de bastidor: passa por melodia. As declarações foram relembradas pela revista britânica Far Out Magazine, que recuperou uma entrevista do guitarrista ao jornal americano Long Island Weekly, concedida enquanto ele divulgava "Nature's Light", disco do Blackmore's Night. Para o músico, a última fase dele na banda foi de esvaziamento melódico.

Questionado sobre o uso de recursos contemporâneos nas próprias composições, o guitarrista foi direto. "Não tenho muito interesse na abordagem moderna, com instrumentos modernos", afirmou. "Usamos sintetizadores em certas coisas, mas eles estão ali para ver como vamos progredir com os outros instrumentos." O caminho, na visão dele, nunca foi empilhar camadas de tecnologia, e sim reduzir a música ao essencial - postura que ajuda a explicar o rumo que tomaria depois de deixar o grupo.
Por que Ritchie Blackmore saiu do Deep Purple
O problema é que voltar ao básico dentro do Deep Purple acabou custando justamente aquilo que mais interessava a Blackmore. "A melodia é muito importante para mim", disse ao Long Island Weekly. "É por isso que, mesmo no Deep Purple, lá para o fim, antes de eu sair, nossa música era um pouco monofônica." A frase virou uma das sínteses mais repetidas sobre o divórcio entre o guitarrista e a banda que ele ajudou a fundar em 1968.
A crítica não parou na própria discografia. "Não havia muita melodia e, se eu não escuto uma melodia, não consigo me inspirar", completou. Em seguida, estendeu o diagnóstico ao rock pesado feito hoje: "Acho que, com muitas bandas de hard rock atuais - não o death metal nem nada disso -, a melodia certamente não está lá, e eu não consigo me identificar com isso". A ressalva sobre o death metal deixa claro que o incômodo é com o hard rock de raiz, não com o extremo.
O atrito, porém, é bem mais antigo do que a saída de 1993. A primeira ruptura veio em 1975, logo depois de "Stormbringer", álbum que dividiu a formação e do qual o guitarrista nunca escondeu a antipatia. Uma faixa em especial, "Soldier of Fortune", rachou o grupo ao meio: parte dos integrantes comprou a ideia dos acordes de inspiração medieval, parte simplesmente não quis saber daquilo.
Anos depois, Blackmore contou como foi convencer os colegas a gravar a canção. "Dave e eu escrevemos essa música", relatou, em referência a David Coverdale. "É uma das minhas favoritas, tem alguns daqueles acordes medievais." E emendou: "Você vai se surpreender com o quanto foi difícil convencer os outros a tocá-la. Jon topou bem rápido, mas Ian e Glenn não queriam nem saber". Os citados são Jon Lord, Ian Paice e Glenn Hughes.
O guitarrista retornou ao Deep Purple em 1984 e ficou até novembro de 1993, quando saiu em definitivo e nunca mais dividiu palco com a banda. Seguiu no Rainbow por um período curto e, a partir de 1997, passou a se dedicar ao Blackmore's Night, projeto de música renascentista que mantém ao lado da mulher, a cantora Candice Night. A Far Out resume o episódio como o efeito colateral de um grupo criativo demais para caber em uma só direção sonora.
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