O verdadeiro significado de "The End", clássico dos Doors cercado por mistérios e polêmicas
Por Bruce William
Postado em 16 de julho de 2026
Poucas músicas do rock despertam tantas interpretações quanto "The End". Com quase 12 minutos de duração, a faixa que encerra o primeiro álbum dos Doors, lançado em 1967, ganhou fama por sua atmosfera sombria, pelas imagens perturbadoras e pelo longo trecho inspirado no complexo de Édipo. Mas, segundo Jim Morrison, seu significado nunca foi tão simples quanto parecia.
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A origem da composição estaria ligada ao fim do relacionamento entre Morrison e Mary Werbelow, sua primeira namorada séria. Os versos iniciais - "This is the end, beautiful friend" ("Este é o fim, bela amiga") e "I'll never look into your eyes again" ("Nunca mais olharei em seus olhos") nasceram desse rompimento, embora a música tenha crescido muito além dessa ideia durante as apresentações ao vivo dos Doors antes de ser gravada.
Em entrevista à Rolling Stone em 1969, Morrison deu uma interpretação mais ampla para a canção. "Provavelmente era apenas sobre uma garota, mas consigo entender por que pode representar a despedida de uma espécie de infância", afirmou. A resposta reforçava que "The End" havia adquirido novos significados até para seu próprio autor.
Em outra conversa, um ano antes, o cantor associou a música diretamente à morte. "As pessoas temem a morte mais do que a dor. É estranho, porque a vida machuca muito mais do que a morte. No momento da morte, a dor acaba. Sim... acho que ela é uma amiga", declarou, conforme publicado na Far Out A frase ajuda a entender por que a composição se tornou inseparável da atmosfera criada por Francis Ford Coppola em "Apocalypse Now", filme que a utilizou para abrir e encerrar sua narrativa sobre a Guerra do Vietnã.
Há ainda o trecho mais controverso da letra, quando Morrison canta: "Pai... quero matar você. Mãe... quero...". A passagem costuma ser associada ao mito de Édipo, mas o baterista John Densmore revelou em sua autobiografia que o vocalista lhe dava uma interpretação menos literal. Segundo Morrison, "matar o pai" significava eliminar conceitos impostos por outras pessoas e construir a própria identidade, enquanto a referência à mãe simbolizava um retorno à essência, à natureza e ao que existe de mais verdadeiro.
Talvez seja justamente essa combinação que explique por que "The End" continua fascinando tantos ouvintes quase 60 anos depois. A música nasceu de uma desilusão amorosa, incorporou reflexões sobre a morte, dialogou com ideias da psicanálise e nunca recebeu uma explicação definitiva de Jim Morrison. Em vez de oferecer respostas, ela parece ter sido construída para permanecer aberta a diferentes interpretações - exatamente como as melhores obras do vocalista dos Doors.
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