O sensato motivo pelo qual Mick Jagger evita falar de política nos shows dos Rolling Stones
Por André Garcia
Postado em 13 de julho de 2026
Música popular e críticas sociais caminham lado a lado desde sempre, mas nem todo palco precisa virar um palanque.
No mundo do rock - talvez o mais contestador dos gêneros musicais - essa discussão divide opiniões como os Vingadores em Guerra Civil. De um lado, quem defende que artistas expressem livremente suas posições políticas no palco. Do outro, quem acredita que shows devem ser um espaço de entretenimento, longe de discursos e polarizações.
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Em entrevista ao The Interview, podcast do The New York Times, o maior frontman da história, Mick Jagger, revelou o que pensa sobre levar política para os shows dos Rolling Stones.
"Seu trabalho é fazer o público enlouquecer. Você não quer ficar dando sermão para ele."
Na sequência, o vocalista explicou que prefere colocar suas opiniões nas letras das músicas a fazer discursos entre uma canção e outra.
"Com o passar do tempo, adquiri o hábito de escrever músicas sobre relacionamentos e colocar um verso sobre política no meio. Acho que aprendi esse truque com outros compositores, porque ninguém quer ouvir uma música inteira sobre política… ou sobre qualquer tipo de comentário social."
Ainda falando sobre apresentações ao vivo, Jagger disse que é preciso entender o contexto e o público antes de subir ao palco.
"Bom, antes de tudo, depende de onde você está e de que tipo de evento é. Nem todo mundo está ali necessariamente para ver você - e também não são, necessariamente, seus maiores fãs. Não estou dizendo que eles te odeiam, porque, se fosse assim, provavelmente nem estariam lá. Mas existem diferentes tipos de público, e você precisa abordar cada um de uma maneira diferente."
Para o cantor, a principal missão de um show é fazer as pessoas esquecerem os problemas por algumas horas.
"No fim das contas, meu trabalho é fazer com que o público aproveite o máximo possível e, durante duas horas, esqueça seus problemas, os problemas do mundo, o aluguel ou qualquer outra preocupação."
Ele comparou essa experiência à de assistir a um evento esportivo.
"É como ir a um jogo. Durante aquele tempo, nada mais importa. Você só quer saber quem vai vencer. Todo o resto desaparece da sua cabeça."
Jagger também afirmou que o comportamento do público varia, e que cabe ao artista entender essa dinâmica.
"Alguns públicos querem enlouquecer completamente, então você os incentiva a enlouquecer ainda mais. Você não pode ficar cobrando uma reação porque eles não estão se manifestando como você esperava, nem começar a encanar que não estão se divertindo."
As declarações chegam poucos dias após o lançamento de "Foreign Tongues" (1926), 25º álbum de estúdio dos Rolling Stones. Lançado em 10 de julho, três anos depois de "Hackney Diamonds"(2023), o disco mantém sua clássica mistura de blues e rock, bem como a parceria da banda com o produtor Andrew Watt e traz participações de Robert Smith (The Cure), Steve Winwood (Blind Faith), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e Paul McCartney, que também havia participado de Hackney Diamonds, tocando baixo em "Bite My Head Off". No novo álbum, o ex-Beatle aparece na faixa "Covered in You".
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