O produtor que o Guns N' Roses queria até descobrir que ele iria drenar uma fortuna
Por Bruce William
Postado em 10 de julho de 2026
O Guns N' Roses precisava acertar o som de estreia. A banda tinha músicas fortes, presença perigosa e uma identidade bem diferente do hard rock mais polido que dominava parte da cena dos anos 1980. Mas transformar aquele caos em disco exigia alguém capaz de registrar a sujeira sem domesticar demais o grupo.
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Antes de chegar a Mike Clink, o Guns passou por algumas possibilidades. Uma delas foi Paul Stanley, do Kiss, que chegou a se envolver no processo, mas parecia imaginar a banda com uma grandiosidade mais próxima do universo do próprio Kiss. Não era exatamente o que Axl Rose, Slash, Duff McKagan, Izzy Stradlin e Steven Adler buscavam para "Appetite for Destruction".
Outro nome cogitado foi Mutt Lange. O produtor já tinha reputação enorme por criar discos de som gigantesco, lapidado e comercialmente poderoso. Para uma banda ainda tentando transformar seu primeiro álbum em realidade, trabalhar com alguém desse porte poderia parecer um atalho para algo grandioso.
O problema era o preço. Duff McKagan lembrou que Lange queria uma quantia alta apenas para entrar no projeto, além de participação nos ganhos futuros do disco. Para uma banda que ainda dependia do adiantamento da gravadora para pagar estúdio e produtor, aquilo era inviável. "Por um tempo, achamos que poderíamos conseguir Mutt Lange", disse Duff. "Mas Mutt queria 400 mil dólares para entrar na sala, além de uma parte dos ganhos futuros do disco. Tínhamos que pagar o estúdio e o produtor com nosso adiantamento, e já tínhamos tirado 75 mil dólares. Não íamos pegar dinheiro emprestado para pagar um produtor."
A recusa acabou sendo uma sorte. Conforme coloca a Far Out, Mike Clink não tentou transformar o Guns em uma máquina polida demais. Seu trabalho em "Appetite for Destruction" manteve a banda seca, agressiva e próxima do que ela parecia ser ao vivo. Em faixas como "It's So Easy", "Welcome to the Jungle" e "Paradise City", dá para sentir o grupo tocando como uma unidade instável, mas poderosa.
Talvez um disco produzido por Mutt Lange fosse tecnicamente enorme. Mas "Appetite for Destruction" precisava soar como o Guns N' Roses, não como uma superprodução limpando a sujeira da calçada. Ao economizar uma fortuna, a banda também evitou perder justamente aquilo que a tornava perigosa.
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