A lenda da música que agradeceu a Deus por ter caído nas graças de Clapton e Richards
Por Bruce William
Postado em 31 de agosto de 2026
Quando Eric Clapton, Keith Richards e outros jovens britânicos começaram a reverenciar abertamente os mestres americanos do blues nos anos 1960, não estavam apenas revelando suas próprias influências. Acabaram ajudando a apresentar nomes como B.B. King a um público que, durante anos, havia passado ao largo de boa parte de sua obra.
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King falou sobre isso em uma entrevista à Guitar Player publicada originalmente em 2000. Naquele momento, sua carreira já era gigantesca, mas ele lembrou que passou boa parte dos primeiros anos vendo outros músicos conseguirem oportunidades que pareciam nunca chegar para ele.
"Nos primeiros anos, parecia que todo mundo conseguia uma chance, menos eu", recordou. King afirmou que nunca chegou a guardar ressentimento por isso. Imaginava que os outros haviam conquistado as oportunidades porque as mereciam - embora também acreditasse que merecia a sua.
A situação começou a mudar no fim dos anos 1960, quando a explosão do blues britânico colocou seus ídolos americanos novamente em evidência. Clapton, Keith Richards e outros guitarristas passaram a citar King abertamente como referência, enquanto bandas inglesas aproximavam uma nova geração da música que havia surgido do outro lado do Atlântico.
King resumiu aquela virada de maneira particularmente carinhosa: "Finalmente, quando os garotos começaram a tocar blues, abriram muitas portas para B.B. King. Às vezes eu rezo por isso e digo: 'Graças a Deus - antes tarde do que nunca'."
A relação com Clapton ganharia também um componente pessoal. King lembrava de uma noite em 1967 no Cafe Au Go Go, em Nova York, como uma das primeiras vezes em que os dois tocaram juntos. Segundo sua memória, Jimi Hendrix e Al Kooper também estavam presentes, e Hendrix chegou a gravar parte da jam. King brincava décadas depois que esperava encontrar Hendrix após a morte para finalmente cobrar a fita.
O reconhecimento comercial realmente cresceu a partir daquele período. "Blues on Top of Blues", de 1968, foi seu primeiro álbum a entrar numa parada americana; Lucille, do mesmo ano, chegou à Billboard 200. Em 1969, "Completely Well" trouxe "The Thrill Is Gone", música que se tornaria sua assinatura.

Décadas depois, Clapton e King ainda gravariam juntos "Riding with the King", lançado em 2000 e vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Blues Tradicional. Para B.B., porém, a grande mudança havia começado muito antes: quando jovens músicos que haviam aprendido com seus discos passaram a dizer publicamente ao mundo de onde aquela música vinha.
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