O disco em que Ritchie Blackmore encontrou o Rainbow que queria fazer
Por Bruce William
Postado em 30 de agosto de 2026
Quando Ritchie Blackmore deixou o Deep Purple e lançou o primeiro álbum do Rainbow, em 1975, a nova banda ainda estava longe de ter uma identidade completamente definida. O próprio guitarrista admite hoje que entrou no estúdio sem saber direito o que queria fazer - situação bem diferente daquela encontrada apenas um ano depois em "Rising."
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"Eu não sabia o que estava fazendo. Não sabia para onde estava indo", contou Blackmore à Ultimate Classic Rock. Segundo ele, o primeiro disco foi gravado em cerca de três semanas, praticamente com o material que surgia no momento. "Eu nem sabia muito bem que estilo queria tocar. Por isso algumas coisas são muito melódicas e outras muito pesadas. Eu estava dividido entre os dois estilos."
A diferença para Rising, lançado em maio de 1976, foi enorme. Blackmore já havia passado algum tempo tocando com Ronnie James Dio e sabia melhor como explorar aquela parceria. A formação também ganhou Cozy Powell na bateria, Jimmy Bain no baixo e Tony Carey nos teclados, dando ao Rainbow um peso que ainda não aparecia com a mesma força no álbum de estreia.
O guitarrista resumiu essa mudança com uma imagem perfeita em entrevista à Guitar Player: "'Ritchie Blackmore's Rainbow' foi como colocar o pé na água para ver como estava. Em 'Rising', nós mergulhamos." Blackmore explicou que, naquele momento, ele e Dio já conheciam melhor os pontos fortes e fracos um do outro, enquanto Powell trouxe uma abordagem particularmente pesada à banda.
Na conversa com a Ultimate Classic Rock, Blackmore foi ainda mais específico sobre o rumo que encontrou. "Na segunda vez em que abordamos o material do Rainbow, eu sabia mais ou menos para onde estava indo, que era algo mais pesado, mas ainda com ênfase na melodia." Segundo ele, isso aparece principalmente em músicas como "Stargazer", uma das faixas que melhor representam o que desejava fazer naquele momento.
Ronnie James Dio também já estava mais confortável naquele universo. Blackmore recordou que trabalhar com o vocalista era extremamente fácil porque Dio entendia rapidamente suas ideias melódicas e conseguia transformá-las em músicas quase imediatamente. Com Rising, os dois acabaram conduzindo o grupo definitivamente para um hard rock mais pesado, sem abandonar o caráter melódico que distinguia o Rainbow.
Com apenas seis faixas, o álbum trouxe "Tarot Woman", "Starstruck", "A Light in the Black" e principalmente "Stargazer", composição épica que acabaria se tornando uma das gravações mais celebradas da carreira da banda. Décadas depois, Rising também seria apontado como influência fundamental para a evolução do heavy metal melódico e do power metal.
Se o primeiro Rainbow registrou Blackmore experimentando a liberdade recém-conquistada depois do Deep Purple, "Rising" mostrou o momento em que aquela liberdade ganhou direção. O guitarrista ainda procurava maneiras novas de trabalhar, mas já havia encontrado a combinação que queria: peso, melodia, Dio na frente e uma banda capaz de acompanhar exatamente o caminho que tinha na cabeça.
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