5 músicas de metal que ou você ama de paixão ou odeia com todas as forças
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de agosto de 2026
Toda banda grande tem uma música que não admite meio-termo. Não é o caso de faixa esquecida ou fracasso comercial: são canções que rendem discussão há décadas, com defensores e detratores igualmente convictos, e que quase sempre marcam o momento em que o grupo decidiu contrariar a expectativa do próprio público. Em todos os cinco casos abaixo, os responsáveis se recusaram a recuar - e em alguns deles o tempo acabou dando razão a eles.
Melhores e Maiores - Mais Listas
"St. Anger" carrega o som de caixa mais debatido da história do metal, gravado sem a esteira metálica que dá o estalo característico ao instrumento. Lars Ulrich nunca pediu desculpas por aquilo. Em entrevista ao programa de Eddie Trunk na SiriusXM, reproduzida pelo Blabbermouth, o baterista foi direto: "Eu banco isso cem por cento, porque, naquele momento, aquilo era a verdade." O produtor Bob Rock contou ao Consequence que emprestou ao músico uma caixa Ludwig de acrílico só para as demos, e que Lars simplesmente não quis mais voltar atrás.
Poucas músicas dividem tanto o público brasileiro quanto "Roots Bloody Roots". Para um lado, foi o momento em que o Sepultura encontrou identidade própria; para outro, o começo do abandono da fase thrash. A Louder registrou a comparação feita pelo próprio autor: "É como o nosso 'Ace of Spades'. Vou ter que tocar isso para sempre!" Sobre o rótulo de nu metal, Max Cavalera respondeu em entrevista ao iRock, publicada pelo Blabbermouth, que os críticos nunca deram uma chance real ao disco.
O caso do Judas Priest é o mais completo, porque a rejeição virou aplauso. Em 1986, "Turbo Lover" abriu um álbum construído sobre guitarra-sintetizador - Glenn Tipton usava uma Hamer A7 Phantom ligada a um Roland GR-700, conforme detalha o Songfacts, e foi Rob Halford quem comparou o som a um motor turbo acelerando. A reação inicial foi hostil. "Quando o disco saiu, todo mundo queria jogar aquilo no lixo", lembrou o vocalista ao Planet Rock, em declarações recuperadas pela Louder. Hoje ele vê 30 mil pessoas cantando o refrão nos festivais.
Com o DragonForce, a briga é sobre honestidade técnica. "Through the Fire and Flames" ficou platina nos Estados Unidos e virou a faixa final e supostamente impossível de "Guitar Hero III", o que fez a banda ser acusada de acelerar as gravações em estúdio. O grupo nunca escondeu as próprias gambiarras: uma corda de Herman Li arrebentou durante o take e ficou no disco, e a parte que soa acústica na abertura era tocada ao vivo pelo tecladista, como o guitarrista contou à Metal Hammer, em reportagem publicada pela Louder. Ao Metal Injection, Li resumiu a reação da época dizendo que muita gente ficou confusa e não conseguia aceitar aquele som.
Fecha a lista a candidata mais frequente a pior música do Iron Maiden. "The Angel and the Gambler" tem quase dez minutos e repete o mesmo refrão 22 vezes, contagem feita pelo site especializado Maiden Revelations. O Angry Metal Guy trata "Virtual XI" como o ponto mais baixo da discografia e usa justamente essa faixa para explicar o problema do disco. Steve Harris, no entanto, bancou a música como primeiro single, contra a vontade do empresário Rod Smallwood, e a defende como a história de um trapaceiro visitado por um anjo enviado para corrigi-lo.
O padrão se repete nos cinco casos: o autor sabia exatamente o que estava fazendo e não voltou atrás. A diferença está no que o tempo fez com cada escolha. "Turbo Lover" e "Roots Bloody Roots" foram reabilitadas e hoje sustentam setlists inteiros, enquanto "St. Anger" e "The Angel and the Gambler" seguem em julgamento permanente. Talvez seja esse o único consenso possível: música que envelhece sem gerar briga costuma ser música que ninguém lembra.
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