A melhor voz do pop de todos os tempos, segundo Keith Richards
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de agosto de 2026
Keith Richards construiu carreira no lado sujo do rock - riffs de blues, letras sobre o lado sinistro da vida, canções mais atrevidas do que o rádio da época costumava tolerar. Isso nunca o impediu, porém, de reconhecer beleza onde ela aparecia. E, para o guitarrista dos Rolling Stones, ninguém superou o que Ronnie Spector fez à frente das Ronettes.
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A memória que ele guarda do primeiro contato tem cenário e atmosfera próprios. "A gente estava na estrada, como sempre, e eu estava andando por um corredor, e ele era úmido e escuro, e eu ouço essas vozes", contou Richards. "Ao descer a escada, eu ouço esse canto lindo, e percebo que estou ouvindo as Ronettes, e então aquela voz pura, pura, cantando 'Be My Baby'."
A conclusão que ele tirou dali diz respeito a algo maior. As gravações produzidas por Phil Spector eram construídas sobre a técnica que ficou conhecida como Wall of Sound - camadas e mais camadas de instrumentos sobrepostos, formando pequenas sinfonias. Para Richards, o feito das Ronettes foi atravessar tudo isso. "Percebi que, apesar dos arranjos, elas conseguiam cantar através de uma parede de som."
Tim Coffman, da Far Out Magazine, autor do texto, observa que Richards não estava exatamente descobrindo um talento oculto. "Be My Baby" já era considerada por Brian Wilson uma das gravações mais especiais da história do rock - a ponto de o líder dos Beach Boys usá-la como parâmetro para o próprio trabalho.
O texto lembra ainda que o gosto de Richards por melodias bem construídas nunca se limitou ao rock. O guitarrista tem apreço declarado por música country e cita nomes como George Jones e Gram Parsons entre os capazes de partir o coração de qualquer um. E, ao ajudar Mick Jagger a escrever "As Tears Go By", demonstrou ter noção clara do que o grande público buscava numa canção sensível.
Esse tipo de pop melódico nunca foi território natural dos Rolling Stones, e Richards parecia confortável em admirá-lo de longe. Segundo Coffman, por mais música importante que sua banda tenha produzido, não havia razão para imaginar que as Ronettes seriam superadas naquilo que faziam melhor: harmonizar.
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