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A linha de baixo dos Beatles que Paul McCartney disse ter sido "um grande momento" de sua vida

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Postado em 25 de agosto de 2026

Paul McCartney costuma ser lembrado primeiro como compositor, cantor e multi-instrumentista, mas houve um momento em 1965 em que ele percebeu com mais clareza o que poderia fazer especificamente como baixista. Não foi em uma música pesada nem numa passagem tecnicamente espalhafatosa. Foi em "Michelle", do álbum "Rubber Soul".

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Foto: Divulgação - Mary McCartney
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A faixa foi gravada em novembro daquele ano, e McCartney contou ao Music Radar em 1994 que não chegou ao estúdio carregando uma linha de baixo pronta. Ela apareceu na hora, enquanto precisava encontrar algo que funcionasse sobre a sequência descendente de acordes da música.

O resultado ficou marcado na memória dele décadas depois. "Lembro daquela linha contra os acordes descendentes. Aquilo foi, nossa, um grande momento da minha vida", disse. A passagem a que se referia era a pequena frase de abertura do baixo, pensada para caminhar em sentido próprio enquanto os acordes mudavam por baixo.

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McCartney não tratava aquilo como alguma invenção inédita. Pelo contrário: reconhecia que músicos de jazz provavelmente já haviam utilizado recursos semelhantes. O que importava era a descoberta pessoal. "Alguma coisa no fundo da minha cabeça disse: 'Faça isso'. Era um pouco mais inteligente para o arranjo e soaria muito bem com aqueles acordes descendentes."

"Michelle" apareceu justamente numa fase em que sua maneira de tocar começava a mudar bastante. Conforme relata a Far Out, McCartney havia recebido um baixo Rickenbacker durante a turnê americana de 1965 e passou a utilizá-lo nas sessões de "Rubber Soul", alternando-o com o velho Höfner. Mais importante que o instrumento, porém, era a ideia de que o baixo não precisava apenas acompanhar as fundamentais dos acordes: podia criar uma pequena melodia paralela.

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Essa abordagem se tornaria muito mais evidente pouco depois. Em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", McCartney já pensava deliberadamente em linhas independentes, como a de "Lucy in the Sky with Diamonds". Ele próprio apontou James Jamerson, da Motown, como grande referência para essa maneira melódica de tocar, ao lado de Brian Wilson, que o impressionava pelas escolhas harmônicas pouco convencionais.

Por isso, aquele pequeno trecho de "Michelle" tem um tamanho curioso na memória de McCartney. Para milhões de ouvintes, é apenas uma parte discreta de uma canção dos Beatles. Para ele, foi o instante em que percebeu que podia deixar de simplesmente tocar o baixo da música e começar a escrever uma segunda melodia dentro dela.

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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