Os 10 melhores riffs de Keith Richards, segundo a Far Out Magazine
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de agosto de 2026
Keith Richards nunca disputou o título de guitarrista mais veloz do rock. Enquanto Eric Clapton e Jimi Hendrix construíam reputações no virtuosismo, o guitarrista dos Rolling Stones apostou no oposto: economia, groove e energia bruta. Em sua autobiografia "Life", ele se define sem modéstia - "Eu sou o mestre dos riffs" - e admite ter perdido apenas um para Mick Jagger: "Brown Sugar", que ele reconhece ser inteiramente do parceiro.
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A Far Out Magazine, em texto assinado por Tom Taylor e Jack Whatley, publicou uma lista com os dez melhores riffs criados pelo guitarrista ao longo da carreira. Confira, com as histórias que o próprio Richards já contou sobre cada um.
"All Down the Line"
A faixa de "Exile on Main Street" (1972) parece dominada pela slide guitar de Mick Taylor, mas é a base rítmica de Richards que sustenta tudo. A dupla operava numa divisão clara: ele fornecia a fundação, Taylor decorava por cima.
"Can't You Hear Me Knocking"
Um dos riffs favoritos do próprio Richards. "Meus dedos simplesmente pousaram no lugar certo, e eu descobri algumas coisas sobre aquela afinação em sol aberto de cinco cordas que eu nunca tinha percebido", contou. A jam session final da música, aliás, nem deveria ter sido gravada: a banda achava que já tinha terminado a faixa.
"Beast of Burden"
Aqui Richards abre mão do protagonismo e deixa o riff funcionar como pano de fundo. Ele considera a canção uma de suas melhores no registro soul e desmente a leitura de que seria sobre uma mulher específica. "Quem diz que é sobre uma mulher em particular entendeu tudo errado."
"Start Me Up"
Provavelmente o riff mais reconhecível de sua carreira - e uma de suas maiores frustrações. A banda estava convencida de que a música era reggae e gravou 45 takes nesse formato. Num intervalo, Richards tocou o riff de rock quase sem pensar. A gravação ficou esquecida na fita por cinco anos até Jagger encontrá-la. "O fato de eu ter perdido 'Start Me Up' por cinco anos é uma das minhas decepções."
"Honky Tonk Women"
Nasceu no Brasil. Richards contou que a ideia surgiu numa fazenda no Mato Grosso, onde estava com Jagger, Marianne Faithfull e Anita Pallenberg - grávida do filho dele na época. "A gente estava sentado na varanda daquela casa e eu comecei a tocar, basicamente brincando com uma ideia antiga do Hank Williams. Porque a gente realmente achava que era caubói de verdade." Meses depois, a canção country virou blues pantanoso.
"Gimme Shelter"
Escrita num dia de tempestade em Londres, no apartamento de Robert Fraser, na Mount Street. "Era um dia terrível e estava caindo um temporal lá fora", relembrou. "Fiquei olhando pela janela do Robert, vendo todas aquelas pessoas com guarda-chuvas sendo arrancados das mãos e correndo feito loucas." A ideia veio dali: tempestades na cabeça dos outros, não na dele.
"Rocks Off"
A abertura de "Exile on Main Street" entra na lista pela energia proto-punk. A lenda diz que Richards adormeceu enquanto gravava um overdub, o engenheiro encerrou a sessão - e depois foi arrancado da cama às cinco da manhã para que o guitarrista pudesse gravar mais uma camada.
"Street Fighting Man"
Gravada de forma improvisada. A banda não conseguia reproduzir em estúdio o som da demo caseira, feita em fita cassete. A solução foi tocar a fita através de um alto-falante e regravar por cima. Richards admite não saber quais guitarras acabaram na versão final: "Eu tentei oito guitarras diferentes." John Lennon chegou a manifestar inveja da agressividade da faixa.
"Jumpin' Jack Flash"
O riff que Richards escolheria se pudesse tocar apenas um pelo resto da vida. "Quando você consegue um riff como 'Jumpin' Jack Flash', sente uma sensação enorme de euforia, uma alegria perversa", escreveu. O nome veio do jardineiro dele: após uma noite em claro, ele e Jagger ouviram passos de botas de borracha do lado de fora. "Perguntaram o que era aquilo e eu falei: 'Ah, é o Jack. É o Jumpin' Jack.'"
"(I Can't Get No) Satisfaction"
O caso mais famoso. Richards acordou no meio da noite, gravou o riff numa fita cassete e voltou a dormir - o registro traz cerca de 40 minutos de ronco na sequência. Curiosamente, ele nunca pensou naquilo como riff de guitarra. "Eu imaginava aquela linha como um riff de metais. O jeito que Otis Redding acabou fazendo provavelmente está mais perto da minha concepção original." E completa com humildade: "Pelo menos o Otis acertou. Nossa versão era uma demo para o Otis."
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