O mega-clássico do Led Zeppelin que Robert Plant passou a considerar menos relevante
Por Bruce William
Postado em 21 de agosto de 2026
"Whole Lotta Love" ajudou a transformar o Led Zeppelin em fenômeno mundial. Lançada em "Led Zeppelin II", de 1969, a faixa chegou ao quarto lugar da parada americana e apresentou uma combinação que se tornaria uma das marcas da banda: riff enorme de Jimmy Page, vocal explosivo de Robert Plant e uma seção intermediária que parecia desmontar a música antes de reconstruí-la. Mesmo assim, poucos anos depois Plant já não enxergava aquele sucesso com o mesmo entusiasmo.
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Em entrevista concedida a Chris Charlesworth em 1976, republicada na Far Out, o vocalista admitiu que ainda estava aprendendo a escrever letras nos primeiros trabalhos do Zeppelin. "Você tem que conviver com elas, então é uma coisa muito pessoal. Fiz parte das letras de 'Whole Lotta Love' e algumas coisas mais amplas como 'Ramble On', mas só mais tarde realmente comecei a trabalhar duro nelas", afirmou.
A mudança de percepção também atingia o repertório ao vivo. Naquele momento, Plant dizia considerar algumas composições posteriores muito mais representativas: "Acho que músicas como 'Kashmir' e 'Stairway [to Heaven]' são muito mais relevantes para a banda agora do que coisas como 'Whole Lotta Love', que de qualquer maneira nós praticamente não tocamos mais."
O comentário faz sentido dentro da evolução acelerada do Led Zeppelin. Em apenas alguns anos, o grupo havia saído do blues pesado dos dois primeiros discos para composições muito mais ambiciosas, passando por "Stairway to Heaven" e chegando ao caráter monumental de "Kashmir". Para Plant, era natural que essas músicas mais recentes dissessem mais sobre aquilo que a banda havia se tornado.
Há, porém, um detalhe que relativiza a ideia de que "Whole Lotta Love" teria sido abandonada. O clássico voltou a aparecer regularmente como parte dos encores na turnê americana de 1977 e também esteve presente em diversos shows da última excursão europeia do Zeppelin, em 1980. Em Munique, por exemplo, encerrou a apresentação com Simon Kirke, do Bad Company, participando na bateria.
A relação de Plant com a música também não virou rejeição definitiva. "Whole Lotta Love" esteve nos shows de Knebworth em 1979 e voltou novamente na reunião do Led Zeppelin na O2 Arena, em 2007. Ou seja, a declaração de 1976 parece registrar mais uma mudança de prioridades artísticas do que uma tentativa permanente de apagar a faixa.
E há certa ironia nisso: Plant podia enxergar "Kashmir" e "Stairway to Heaven" como retratos mais completos do Led Zeppelin, mas o riff de "Whole Lotta Love" continuou fazendo exatamente aquilo que fazia em 1969 - bastavam poucos segundos para ninguém ter dúvida sobre qual banda estava tocando.
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