O que a censura fez com a letra de "Marylou", do Ultraje a Rigor, segundo Roger
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de setembro de 2026
Roger Moreira contou como o Ultraje a Rigor driblou a censura federal para conseguir gravar "Marylou". A palavra que descrevia por onde a galinha da música botava ovo foi vetada, e a banda substituiu o termo por outro, de som parecido, que passou sem problema. O relato foi dado ao podcast Papagaio Falante, apresentado por Sérgio Mallandro e Renato Rabelo.
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O que mais irritava os compositores da época, segundo o vocalista, não era a proibição em si, mas o fato de o parecer não indicar o que havia sido reprovado. "Tinha uma censura. O cara fazia uma música, mandava, e aí voltava: aprovado. E o pior é que não dizia o que era, o que eles não gostaram, entendeu? Você tinha que meio adivinhar", disse Roger.
A versão original trazia o termo anatômico cloaca, que a banda considerava tecnicamente correto e propositalmente provocativo. Barrada a palavra, a solução foi trocá-la por "sul", mantendo a sonoridade e o duplo sentido intactos. Foi essa a versão que chegou ao disco e que o público brasileiro decorou, sem saber que ali havia uma emenda feita sob pressão de um órgão do governo.
"A gente provoca isso o tempo inteiro. Era pela cloaca. Daí, no fim, botava ovo pelo sul. Foi isso que foi para o disco", contou o vocalista, que na mesma conversa relembrou a origem doméstica da canção: ele teve uma galinha de estimação chamada Marylou. A música é de autoria de Maurício Defendi e Edgard Scandurra, e Roger diz ter acrescentado uma estrofe depois, porque a versão inicial tinha apenas uma.
O episódio, segundo ele, não foi um contratempo isolado, e sim uma escola. O vocalista afirma que aprendeu ali que a indireta rende mais que a frase explícita, técnica que atribui à tradição safada do forró e do baião, citando Genival Lacerda como exemplo. "Aprendi na época da censura que era mais interessante, em vez de falar abertamente, dar aquelas indiretas", declarou no Papagaio Falante.
O método reaparece em "Zoraide", que ele cita como o exemplo mais bem acabado dessa fase: uma letra construída inteira sobre segundos sentidos, sem que nenhuma palavra isolada pudesse ser apontada por um censor. A banda já havia enfrentado o órgão antes, no compacto de estreia com "Inútil", segurado por meses e só liberado em outubro de 1983.
Confira o vídeo completo abaixo.
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