O baixista que John Paul Jones considera perfeito e sempre soube tocar na hora certa
Por Bruce William
Postado em 04 de setembro de 2026
Quando o assunto é baixo no rock, John Paul Jones não precisa exatamente apresentar currículo. Além do trabalho no Led Zeppelin, o músico já havia passado anos nos estúdios antes da formação da banda, tocando e fazendo arranjos para artistas como Donovan, Lulu, Dusty Springfield e Cat Stevens. E foi justamente no começo da década de 1970 que ele resolveu apontar alguns dos baixistas que mais admirava.
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Em entrevista concedida em 1970 ao jornalista Ritchie Yorke para a NME, resgatada pela Far Out, Jones começou lembrando nomes vindos do jazz, como Ray Brown e Charles Mingus, além de destacar a enorme influência exercida pelos músicos da Motown sobre o rock daquele período.
"Você não consegue escapar da Motown. Todo baixista de toda banda de rock ainda toca frases da Motown, queira admitir ou não", afirmou.
A conversa então chegou a dois dos baixistas mais famosos daquela geração. Jack Bruce, do Cream, foi considerado "muito bom" por Jones, embora ele admitisse não gostar tanto do som do músico. A reação foi bem diferente quando Yorke perguntou sobre Paul McCartney.
"Acho que ele é perfeito. Ele sempre foi bom. Tudo o que fez sempre esteve certo. Mesmo quando não fazia muita coisa, ainda assim estava exatamente certo. Ele melhorou muito desde os primeiros tempos dos Beatles, e tudo continua certo. As coisas que ele toca são realmente bonitas", respondeu Jones.
Não parece ter sido apenas entusiasmo momentâneo. Anos depois, em uma entrevista de 1977 ao jornalista Steven Rosen, o integrante do Led Zeppelin voltou ao assunto ao comentar que não gostava muito do estilo em que o baixista tenta assumir o papel de solista. McCartney novamente apareceu como exemplo do caminho que ele preferia.
"Sempre respeitei Paul McCartney. Ele coloca as notas certas no lugar certo, na hora certa. Ele sabe o que está fazendo", disse Jones.
A admiração acabou ganhando também uma ligação musical concreta. No final da década de 1970, McCartney reuniu uma verdadeira seleção de estrelas para a Rockestra, projeto ligado ao álbum "Back to the Egg", do Wings. John Paul Jones participou ao lado de nomes como David Gilmour e Pete Townshend - e ainda levou consigo o parceiro de seção rítmica do Led Zeppelin, John Bonham.
McCartney começou a tocar baixo nos Beatles depois da saída de Stuart Sutcliffe e acabou transformando um instrumento que originalmente não pretendia assumir em uma das marcas de seu trabalho. Para John Paul Jones, o segredo aparentemente nunca esteve em tocar mais que os outros, mas em saber exatamente quanto tocar - e onde colocar cada nota.
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